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Entenda a importância da desumidificação na fabricação do vidro laminado

Um local com umidade inadequada, seja no processo na produção ou na armazenagem, pode provocar falhas na qualidade e segurança do material

16/12/2019

O vidro laminado é um vidro de segurança composto por uma ou mais camadas de vidros, intercalados por um ou mais interlayers, que pode ser Poliuretano, Sentryglas®,  EVA ou resinas. “O mais conhecido e utilizada é o PVB (polivinil butiral), um material técnico que possibilita o controle da sua adesão ao vidro através da higroscopia do material, controlando-se a umidade relativa do ar da sala de montagem e finalizado pela autoclavagem”, explica o especialista da Mundial VIdros, Edson Akio Michida, que descreve o processo de produção do vidro laminado.

 

A umidade inadequada pode causar falhas na segurança e durabilidade, principalmente se essa umidade for encontrada na parte interna do vidro, atingindo a camada do PVB/EVA, podendo causar delaminação e comprometendo assim a segurança da peça. Se a película for de Polivinil Butiral, deve-se tomar mais cuidado ainda. Por ser tratar de uma substância higroscópica, ela irá ocasionar defeitos na fabricação, armazenamento e uso do adesivo de laminação.

Saiba mais sobre o processo de fabricação do vidro laminado

 

Armazenagem do vidro

A armazenagem da matéria-prima para a fabricação do laminado também deve ser feita em um local com umidade controlada, especialmente o vidro. Caso o vidro não seja armazenado em um ambiente com controle de umidade, poderá ocorrer um problema comum e conhecido há tempos pelos vidraceiros: a irisação.

 

“Se o local não for seco, bem-ventilado e protegido de umidade e poeira, poderá ocorrer a irisação, que por sua vez, pode provocar delaminação e comprometer a qualidade e eficácia da peça laminada. Quanto ao PVB e EVA, a armazenagem inadequada pode influenciar no processo de laminação e aparência de embaçamento”, explica Jessica Kirsner, CEO da Thermomatic, fabricantes de desumidificadores. 

 

De acordo com Jessica, a ABNT recomenda alguns cuidados, mas ainda não existe uma norma específica que defina a porcentagem de umidade ideal. “Esse é um mercado que cresce a cada dia e os consumidores estão cada vez mais informados e exigentes, e garantir o básico como segurança e qualidade para os consumidores deixou de ser uma vantagem competitiva. É importante ir além, buscar novidades e evitar perdas, retrabalho e desgaste de imagem perante ao mercado. O controle de umidade garante qualidade e segurança com preço justo”.

 

vidro laminado processo de fabricação

 

Como escolher equipamentos para desumidificação do ar

Existem basicamente dois tipos de equipamentos de desumidificação, conforme lista Jessica: Os por condensação e os dessecantes. Os desumidificadores por condensação funcionam através de um ciclo frigorífico por compressor com fluído refrigerante, onde o ar do ambiente é aspirado e resfriado até que se atinja a temperatura de ponto de orvalho, neste ponto, o vapor de água presente no ar acaba condensando na serpentina de cobre do evaporador na forma de gotículas. Esse ar seco e gelado é então reaquecido na serpentina de condensação do sistema e retorna ao ambiente seco. Esse ciclo é repetido continuamente pelo equipamento até que o ar ambiente atinja a umidade relativa desejada.

 

Já os dessecantes funcionam através da adsorção do vapor de água do ambiente. Nele, temos uma roda dessecante feita de material altamente higroscópico, que retém a umidade do ar. Essa roda se mantém girando e alternando entre dois ciclos distintos que funcionam simultaneamente, sendo um ciclo de desumidificação do ambiente e outro de regeneração do material dessecante.

 

“Ambos são eficientes na desumidificação de ambientes, porém os equipamentos por condensação são limitados à temperaturas de 15°C à 35°C, devido às especificidades do ciclo de refrigeração realizado pelo compressor. Nestes equipamentos, dependendo da situação, podemos chegar a valores de até 40% de umidade relativa. Os dessecantes diferentemente, são apenas limitados pela capacidade do material dessecante da qual são feitos”, esclarece a CEO da Thermomatic. 

 

A especialista diz que, pelo material ser robusto e altamente higroscópico, neste tipo de equipamento, é possível atender ambientes úmidos onde a temperatura do ar pode atingir de -20°C à 60°C, sendo assim, muito utilizado em casos específicos de desumidificação, como em locais muito quentes ou em câmaras frias. Os dessecantes podem atingir conforme a situação, valores de umidade relativa de até 25%.

 

“Para um controle eficaz da umidade do ambiente, é importante manter o equipamento sempre em funcionamento. Ao definir o percentual de umidade relativa desejada, o sensor de umidade fará o monitoramento automático da umidade do ambiente ligando o ciclo de desumidificação ao detectar que o percentual está acima do desejado, ou desligando o equipamento ao atingir o valor predeterminado. Isso permite um melhor desempenho e menor consumo de energia do equipamento”, completa. 

 

Ao escolher o equipamento, o ideal é solicitar uma visita técnica para entender as condições do ambiente onde são feitas todas as etapas do processo. É necessário pesquisar informações da área interna e externa do local como: sistema de climatização, taxa de ocupação de pessoas, vapores de água oriundos de tanques e processos, infiltração de umidade pelo chão, paredes e frestas, além das condições climáticas da região.

 

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