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Saiba o que diz a norma de vidro temperado

A NBR 14698, criada em 2001, especifica os requisitos gerais e defeitos, manchas e distorções que podem ocorrer no vidro temperado, esclarecendo sobre o limite tolerável

13/05/2019

 

A norma NBR 14698 - Vidro Temperado especifica os requisitos gerais, métodos de ensaio e cuidados necessários para garantir a segurança, a durabilidade e a qualidade do vidro temperado plano em suas aplicações na construção civil, na indústria moveleira e nos eletrodomésticos da linha branca. Também fornece a metodologia de classificação deste produto como vidro de segurança. O vidro temperado vidro é constituído de uma única chapa cuja resistência a esforços mecânicos é aumentada em decorrência do tratamento a que é submetido. Em caso de quebra, estilhaça em centenas de pequenos pedaços não pontiagudos sem lascas cortantes, por isso o vidro temperado é considerado um vidro de segurança.

 

Defeitos no vidro temperado

A norma cita alguns tipos de defeitos que podem aparecer no vidro temperado. Os defeitos considerado lineares são arranhões, riscos, fios de cabelo e defeitos pontuais estendidos. O fio de cabelo são riscos circulares muito finos, dificilmente notados e atribuídos às técnicas de polimento do vidro. Defeitos pontuais podem ser nódoas, sujeira, infundidos, inclusões gasosas, partículas de estanho e outros defeitos semelhantes. Em certos casos, cada defeito pontual pode ser acompanhado de uma zona de distorção ótica ao seu redor (halo). Somente o núcleo do defeito é passível de medição, não considerando-se o halo.

 

Outros defeitos podem ser causado por bolhas de ar presentes na massa do vidro, corpos estranhos como qualquer partícula indesejada introduzida no vidro temperado durante a fabricação e manchas visíveis no vidro temperado, como por exemplo marcas de estanho. Somente ocorre um acúmulo de defeitos se quatro ou mais defeitos estiverem a uma distância menor do que 200 mm entre si e somente são considerados os defeitos maiores e iguais que 30 mm.

 

Também pode ocorrer deformidade nas bordas. As pinças utilizadas para suspender o vidro durante a têmpera produzem depressões na superfície do vidro, conhecidas como marcas de pinça. Os centros das marcas de pinça são situados até um máximo de 20 mm a partir da borda. Uma deformação da borda menor que 2 mm pode ser produzida na região da marca de pinça e também pode haver uma região de distorção óptica com raio máximo de 100 mm.

 

Vale ressaltar que o efeito causado pela anisotropia não é considerado defeito. A anisotropia (efeitos de polarização) é uma característica óptica do vidro temperado inerente ao processo de têmpera. O processo de têmpera produz áreas com esforços diferentes na seção transversal do vidro, produzindo um efeito de dupla reflexão, que é visível sob luz polarizada. Esse efeito manifesta-se sob a forma de manchas coloridas. A luz polarizada ocorre durante o dia e sua quantidade depende da estação climática do ano e do ângulo do sol.

 

 

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Planicidade e empenamento

Pela própria natureza do processo de têmpera, não é possível obter um produto tão plano quanto o vidro comum. Dependendo da espessura nominal, das dimensões e da proporção entre as dimensões, pode ocorrer uma distorção conhecida como empenamento. Há dois tipos de empenamento: empenamento total e empenamento localizado. O empenamento total, em geral, tem condição de ser acomodado pelo sistema de caixilho. O empenamento localizado precisa ser reduzido para se acomodar aos materiais de encaixilhamento e vedações impermeabilizantes.

 

Para medir o empenamento a chapa de vidro temperado deve ser colocada em uma posição vertical e suportada em seu lado mais longo por meio de dois blocos de apoio. A deformação deve ser medida ao longo das bordas do vidro e ao longo das diagonais, como sendo a distância máxima entre uma régua reta de metal, ou um arame esticado, e a superfície côncava do vidro. O valor do empenamento é então expresso como sendo a deformação, em milímetros, dividida pela medida do comprimento da borda do vidro, ou diagonal, em milímetros, conforme apropriado. A medição deve ser executada na temperatura ambiente.

 

Borda, furos, recortes e formatos

Após ser submetido ao processo de têmpera, o vidro não pode ser cortado, serrado, perfurado ou ter sua borda trabalhada.  Todo vidro que for temperado deve ter sua borda trabalhada antes do processo de têmpera. Caso exista algum defeito na borda do vidro, este não deve ser encaminhado ao processo de têmpera. O acabamento das bordas deve seguir as seguintes recomendações: bordas que forem protegidas (embutidas) devem ser no mínimo filetadas; bordas que forem expostas devem ser lapidadas ou bisotadas.

 

Os fornecedores do vidro temperado devem ser consultados sobre os diversos tipos de acabamento de borda existe, assim como no caso de furos e recortes. O fabricante deve ser consultado para que a integridade da chapa de vidro temperado não seja comprometida em decorrência de uma especificação inadequada dos recortes e da furação. Podem ser produzidas chapas em formatos especiais, não retangulares e, nesses casos, os fabricantes devem ser consultados, pois deve existir um acordo prévio sobre as características das tolerâncias do projeto.

 

Alguns defeitos no aspecto visual podem ocorrer nas áreas de visão e de borda do vidro temperado. A área de visão (zona central) é determinada pela diferença das medidas da chapa com a área de borda (zona periférica). A zona periférica é a faixa que acompanha o perímetro da chapa de vidro, de largura correspondente a 10% da dimensão da chapa em relação à sua respectiva borda.






 

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