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Nicole Fisher destaca os avanços do mercado de desempenho acústico

A diretora operacional da Atenua Som acompanhou o crescimento da empresa, fundada por seu pai, Edison Claro de Moraes, e posteriormente da Universidade do Som, que oferece cursos sobre desempenho acústico de esquadrias

18/11/2019

A diretora operacional da Atenua Som, Nicole Fisher, acompanhou o crescimento da empresa, fundada por seu pai, Edison Claro de Moraes, e posteriormente da Universidade do Som, que oferece cursos sobre desempenho acústico de esquadrias e organiza o evento itinerante Vidro Som, que já percorreu diversas capitais brasileiras e aconteceu em Florianópolis (SC) no último dia 18 de outubro. Nicole destaca um pouco desta trajetória, os avanços deste segmento e aspectos a serem melhorados. 

 

Um dos destaques da Atenua Som é seu laboratório próprio. Por que decidiram criá-lo?
O laboratório foi desenvolvido há 10 anos, em 2009, seguindo a norma, para testarmos os produtos com autonomia, porque para realizar ensaios é necessário agendar, processo  que pode demorar. Ter uma laboratório próprio à disposição permite fazer rapidamente as alterações necessárias e novos testes. 

 

Outro marco foi o desenvolvimento da Universidade do Som. Como surgiu essa ideia?
Surgiu em 2012 a partir da necessidade por conhecimento acústico, além dos ensaios. Havia muita falta de conhecimento por parte das empresas e profissionais, e tudo começou com a criação do curso de Acústica e Esquadrias. 

 

Ainda existe falta de informação sobre este segmento?
Falta conhecimento, pois na Faculdade de Arquitetura, por exemplo, o tema é abordado de forma muito rasa. Outro desafio é comunicar com o consumidor final que não paga mais caro por isso, também por falta de conhecimento. A construção não investe porque o consumidor não tem essa demanda. Aqui quando procuram é porque já chegou em um nível de saúde e sanidade mental a falta de conforto acústico. 

 

O Vidro Som também é uma oportunidade de expandir este conhecimento ao mercado?
Sim, o evento acontece uma ou duas vezes ao ano e já passou para várias capitais. Estamos na 12ª edição, que recebeu palestrantes abordando diversos tópicos para não ficar repetitivo. Fernando Simon Westphal, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, falou sobre como especificar a esquadria considerando os climas regionais do Brasil; e Michele Gleice da Silva, engenheira civil e diretora técnica do ITEC (Instituto Tecnológico da Construção Civil), sobre como atender aos requisitos da Norma de Desempenho 15.575 da ABNT.  

 

Outros participantes foram Remy Dufrayer, gerente de desenvolvimento de mercado da Cebrace, que apresentou soluções inovadoras e estudos de casos sobre conforto acústico e o valor agregado do vidro em projetos acústicos; o engenheiro Fernando Neves, que explorou as Soluções Acústicas para Conforto nos Ambientes; e o empresário Roberto Papaiz, diretor da ScreenLine, da EuroCentro e presidente do ITEC.

 

Em que sentido ainda precisamos evoluir?
Em Home Center ainda briga-se por preço. As janelas são criadas para atender à demanda de preço e possuem muita patologia, com uma vedação ruim. O resultado são janelas que deixam entrar água. Se muitas entram água, quem dirá o som. Com normas como a de Desempenho 15.575  e a de Esquadrias 10.821 - que em uma parte sobre janelas aborda isolamento acústico, as construtoras começam a se preocupar mais com a questão, mas ainda não tem fiscalização e multa. É um avanço mínimo e ainda pequeno.

 

 

Estamos muito defasados em relação a outros mercados?

No exterior não se discute mais como isolar com uma janela. Eles estão super avançados e o debate é sobre melhorias do tipo como isolar o som com a janela aberta. Isso acontece por meio de microfones que captam ruídos e auto-falantes que soltam onda contrária a do som emitido para se anularem. Outra forma do ruído se dissipar no caminho é que fazer um labirinto para o ruído se perder e o ar passar. 

 

Em um ano se desenvolve muita coisa lá fora. O Edison está sempre indo à Europa para trazer novidades ao Brasil, como a janela acústica com um sistema que não altera a fachada, projeto no qual fomos pioneiros. Recentemente esteve em um congresso de acústica na Alemanha.

 

A indústria vidreira está amparada com tecnologias suficientes? E a de esquadrias?
O vidro dá de 10 a 0 na janela. Há muitas combinações de vidro que agregam, vidro de proteção solar, duplo, laminado, etc. O problema é a qualidade da esquadria. O caixilho tem que sustentar o conjunto. O vidro faz o papel dele. A esquadria tem que chegar no nível do vidro, mas há uma luta pois a guerra ainda é por preço. Por este motivo a Universidade do Som leva esse conhecimento para que não fique só na guerra por preço. 

 

Que outros fatores interferem em um bom desempenho além dos vidros e esquadrias?
Outros fatores interferem, como fachada, se a parede é de tijolo furado, pois vai passar o som. Não adianta fazer este trabalho se não resolver a parede. A instalação também conta, a peça tem que estar alinhada no nível e prumo, sem deixar frestas. O vidraceiro tem entender como encaixilhar, é um diferencial para o profissional. Para isolar o som tem que entender o tipo de ruído para saber que produto utilizar para um melhor isolamento. Pela faixa de frequência é melhor um produto ou outro. Alumínio e PVC são materiais que costumam oferecer bons resultados. 

 

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