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Pesquisa revela redução brusca das atividades no mercado vidreiro

Enquete da Vidro Impresso mostra que mais 60% interrompeu totalmente suas atividades durante a quarentena, mas a maioria espera se recuperar em alguns meses

30/03/2020

A repressão econômica que já se inicia com a interrupção das atividades industriais e comerciais em decorrência da quarentena tem preocupado empresários e profissionais autônomos do mercado vidreiro. Pesquisa realizada pela Vidro Impresso revelou que mais da metade dos vidraceiros e beneficiadores de vidro suspendeu totalmente suas atividades. Confira:

 

- 61,7% interrompeu suas atividades

- 24,2% em atividade mas com uma demanda reduzida

- 7,9% está tendo dificuldade para adquirir materiais

- 1,1% diz ainda não ter sentido os efeitos na empresa

- 0,3% está tendo até mais pedidos 

 

82% dos empresários do setor acreditam que suportarão a crise, embora mais de um terço considere demitir funcionários

 

O período pós quarentena preocupa a maioria, pois apenas 6,5% afirma ter reserva de caixa para suportar este momento. 18,3% teme quebrar até mesmo antes da quarentena acabar. Veja as respostas:

 

- 39,6% - Suportaremos o período com dificuldades, porém sem demissões

- 35,7% - Suportaremos o período com dificuldades e teremos que demitir funcionários

- 18,3% - Minha empresa irá quebrar antes que a quarentena acabe

- 6,5% - Conseguiremos suportar o período pois temos caixa

 

A expectativa de recuperação vai demorar alguns meses de acordo com empresários do mercado vidreiro:

 

- 19,1% acredita que em menos de dois meses se recupera

- 26,1% vai precisar de até três meses

- 23,9% somente daqui seis meses

- 24,4% vai precisar de mais de seis meses para se recuperar

 

Apoio do Governo

Para conter a situação, o Governo realiza algumas medidas para auxiliar empreendedores e profissionais informais na contenção de despesas neste período de crise. Uma das operações é a liberação de R$5 bilhões pelo BNDES para capital de giro para micro, pequenas e médias empresas, ou seja, empresas com faturamento até 300 milhões. O crédito já está liberado e disponibilizado para bancos públicos e privados realizarem os financiamentos. O prazo é de cinco anos para pagar. 

 

Crédito para folha de pagamento

Um projeto do Banco Central com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) vai liberar R$40 bilhões para financiar a folha de pagamento. A parceria público-privada, que terá recursos subsidiados pelo governo, tem o objetivo de preservar empregos e auxiliar empreendedores, aliviando  o fluxo de caixa da folha de pagamento pelos próximos dois meses.

 

A iniciativa contempla dois meses de folha de pagamento considerando até dois salários mínimos por empregado apenas para empresas de pequeno porte, com faturamento de R$360 mil a 10 milhões que não tenham restrição de crédito nos últimos seis meses. Por enquanto as micro empresas ainda não estão contemplados. 

 

Os recursos e riscos são 85% da União Federal e 15% Bancos da Febraban, públicos e privados. A linha está disponível para todos os bancos, que não poderão cobrar custos bancários nessa operação. A taxa fixa é de 3,75%a.a. com seis meses de carência e 30 meses para quitação. 

 

Suspensão do FGTS 

No pacote de manutenção dos empregos, o governo pretende permitir a isenção, por três meses, das contribuições dos empresários para o FGTS (R$ 30 bilhões) e da parte da União no Simples Nacional (R$ 22,2 bilhões). O dinheiro deixará de ser pago por 90 dias, mas o valor será ressarcido em prazo ainda não definido. As contribuições em atraso poderão ser quitadas somente em 2021.

 

Financiamentos já contratados

O Governo Federal liberou R$19 bilhões para interrupção de pagamento de juros e principal para empresas que têm operações diretas e indiretas com o BNDES. O sistema estará disponível no início de abril e é preciso conversar com o seu repassador bancário. A decisão do refinanciamento é do parceiro bancário, não do BNDES. 

 

Autônomos e informais

Já para vidraceiros e instaladores, sem empresa aberta, mas que também estão com seu faturamento comprometido, o governo liberou uma bolsa auxílio para amenizar os impactos financeiros da crise, apelidado de “coronavoucher” no valor de R$600 a 1.200. Ao todo, cerca de 24 milhões de brasileiros serão beneficiados. 

 

Para ter acesso ao auxílio, a pessoa deve cumprir, ao mesmo tempo, os seguintes requisitos:

 

- ser maior de 18 anos de idade;

- não ter emprego formal;

- não receber benefício previdenciário ou assistencial, seguro-desemprego ou de outro programa de transferência de renda federal que não seja o Bolsa Família;

- renda familiar mensal per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total (tudo o que a família recebe) de até três salários mínimos (R$ 3.135,00); e

- não ter recebido rendimentos tributáveis, no ano de 2018, acima de R$ 28.559,70.

 

A pessoa candidata deverá ainda cumprir uma dessas condições:

 

- exercer atividade na condição de microempreendedor individual (MEI);

- ser contribuinte individual ou facultativo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS);

- ser trabalhador informal inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); ou

- ter cumprido o requisito de renda média até 20 de março de 2020.

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