Alta performance dos vidros especiais auxilia projetos a conquistarem selos verdes

Alta performance dos vidros especiais auxilia projetos a conquistarem selos verdes

Capa: Alta performance dos vidros especiais auxilia projetos a conquistarem selos verdes

O mundo está passando por mudanças ambientais e o termo sustentabilidade está cada vez mais em pauta. Governos e empresas têm colocado o desenvolvimento sustentável entre suas prioridades, visando a preservação do planeta e as necessidades humanas, já que os recursos naturais são finitos. O conceito de sustentabilidade determina como se deve agir em relação à natureza, e teve origem em Estocolmo, na Suécia, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente humano em 1972. 

 

 

Centro Corporativo Portinari, no Distrito Federal

 

Durante anos, setores relacionados à construção, ao transporte, às atividades agrícolas e ao varejo foram apontados como os maiores contribuintes das emissões globais de gases causadores do efeito estufa e por colocarem os lucros antes da proteção ambiental. Porém, cada vez mais, novas tecnologias e modelos estão transformando o setor privado para que líderes empresariais não tenham mais que escolher entre lucrar e cuidar melhor do planeta. 

 
No Brasil, o interesse de empresas por práticas socioambientais em seu plano estratégico é uma tendência crescente. Em 2018, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (IES), uma pesquisa desenvolvida pela B3 em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces) mostrou que 98% das companhias em atividade no país procuram incorporar aspectos sustentáveis nas metas de desempenho de seus empregados. 

 
Muitos empresários ao ouvirem falar de sustentabilidade empresarial associam as práticas sustentáveis com a diminuição de lucros. Porém, com a expansão da consciência ambiental da sociedade, a demanda por serviços e produtos com menor impacto socioambiental aumentou, e os consumidores estão buscando cada vez mais produtos e serviços que estejam de acordo com o conceito de sustentabilidade empresarial, com atitudes que melhoram a imagem da empresa perante a sociedade e possibilita a aquisição de novos clientes. 

 
A prática tem ganhado cada vez mais importância especialmente no setor da construção, já que, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), essa indústria é responsável pelo consumo de quase metade de toda a energia produzida no mundo. No Brasil, dados do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) apontam que as edificações consomem cerca de 50% da energia elétrica do país. 

 

Construção verde

Diante desse cenário, edificações em harmonia com o conceito de sustentabilidade, que priorizam a eficiência energética e menor gasto dos recursos são valorizados no mercado.  As construções ecológicas são atestadas por certificações. No Brasil, as principais são a LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), emitida pelo Green Building Council, e o AQUA (Alta Qualidade Ambiental), baseada na francesa Démarche HQE (Haute Qualité Environmentale) e adaptada à realidade brasileira, promovida pela Fundação Vanzolini, centro sem fins lucrativos de certificação, gestão de tecnologias aplicadas à educação e projetos. 

 
Para obter um desses selos verde é necessário pontuar dentro de critérios estabelecidos por cada uma das certificações, que envolve desempenhos em relação à eficiência no uso da água e energia, conforto do ambiente para os usuários, origem dos produtos, resíduos dessa construção, como é feito cada descarte, impactos do entorno, entre outros itens. Para atingir estes critérios os tipos de materiais utilizados são determinantes e o vidro têm papel importantíssimo, principalmente no atendimento da eficiência energética. 

 
“O vidro traz valor e benefícios como transmissão luminosa com respaldo do bloqueio de calor, o que por consequência gera economia de energia com uso da iluminação natural e com a menor potência do ar condicionado. O vidro também pode ser mais eficiente no isolamento térmico com o vidro duplo, por exemplo, mais eficiente até que a alvenaria dependendo da composição”, afirma Betânia Danelon, gerente de vendas para soluções de arquitetura da Guardian Glass. 

 

 

 

A fachada do Edifício I Tower, que possui o Selo LEED na categoria Gold, recebeu vidros de proteção solar Cool lite SKN da Cebrace em uma extensão de 8 mil m2, aplicação determinante para alcançar algumas pontuações de desempenho

 

Há diversas tecnologias associadas ao vidro que contribuem para os desempenhos citados pela especialista e esperado pelas certificações. Um deles é o vidro de controle solar, um produto que gera maior aproveitamento da luminosidade com controle do calor, reduzindo o consumo do ar-condicionado e de luz artificial em até 30%. “O protagonismo dos vidros de controle solar está crescendo na construção civil do Brasil, e nossos produtos podem ajudar os projetos que buscam certificações com até 20 pontos LEED”, diz Renato Sivieri, diretor de marketing da Guardian Glass. 

 
Além da economia de energia, o vidro também contribui para a operação do edifício. “O vidro ajuda na economia com a limpeza e também com a manutenção de infiltrações. Quando diferentes materiais se encontram há maior chance de infiltrações, com o vidro essa probabilidade é menor”, observa Betânia, que completa: “O Leed também considera que a origem dos materiais utilizados na obra estejam em um raio de 800km. Como estamos localizados no centro do país, perto das principais cidades, no Rio de Janeiro, conseguimos atender essa exigência para diversas obras”.

 
As empresas fornecedoras também precisam emitir uma declaração ambiental de produto, conforme as certificações pedem para discriminar. O Professor Manuel Martins, coordenador do Processo AQUA da Fundação Vanzolini ressalta que é importante especificar a origem dos materiais utilizados na obra e que a preferência é por revestimentos que trazem estanqueidade, durabilidade, limitam impactos ambientais e sejam de fácil conservação para uma menor necessidade de limpeza com produtos que deixarão resíduos.  

 

 

 

Um dos projetos certificado AQUA destacados pelo professor é o Shopping Rio Mar, em Recife (PE), que recebeu 17 mil m² de vidros insulados e laminados de proteção solar Cool Lite KNT, da Cebrace, com diferentes espessuras e grandes dimensões. “O empreendimento utiliza vidro em uma área com iluminação zenital, que permite a entrada de luz solar nas passagens entre as lojas, possibilitando também a visão do céu”, acrescenta o coordenador do Processo AQUA.  

 

Desafios da indústria vidreira

O vidro por si só já é um material sustentável por seu alto grau de reciclabilidade, por ser de fácil limpeza e permitir maior entrada de luz natural graças a sua transparência. Entretanto, as tecnologias aplicadas ao material potencializam seus benefícios. O selo AQUA também inclui em seus critérios a qualidade de vida dos usuários da edificação, com avaliações, além do desempenho térmico e acústico, do conforto visual e até olfativo.

 

“Há uma necessidade de vidros especiais que atendam critérios de iluminação com conforto visual, que evitam ofuscar pelo excesso de luz, e sem trazer muito calor para não causar desconforto local. Cabe aos fabricantes de vidro criarem produtos cada vez melhores que cumpram com esses requisitos conflitantes, como querer luz sem calor. Os vidros estão sendo muito bem desenvolvidos em termos de inovação e a indústria têm avançado ao longo dos anos em desempenho tecnológico”, destaca Manuel Martins. 

 

 

O Shopping Rio Mar, em Recife (PE) recebeu 17 mil m² de vidros insulados e laminados de proteção solar Cool Lite KNT, da Cebrace, com diferentes espessuras e grandes dimensões 

 

“Temos um centro de pesquisa nos Estados Unidos onde fazemos testes para vidros que atendam de forma cada vez mais eficiente e lançamos recentemente o Sun Light, um vidro bem claro que bloqueia bastante calor mesmo sendo transparente. Tem todo um estudo  que passa por várias fases para analisar bloqueio de calor e desempenho. A especificação do vidro é determinante, não é só estética, tem toda uma ficha técnica para atender a cada necessidade”, acrescenta Betânia Danelon.

 
Um dos mais recentes desafios da empresa foi realizado no projeto do Edifício João Benjamin Zaffari (JBZ), localizado em Porto Alegre (RS). O cliente queria um vidro preto que atendesse ao requisito, o que em teoria vai contra a questão de aproveitamento da iluminação natural. Conseguimos entregar as duas premissas fazendo uma composição adequada de vidro laminado com os produtos que possuímos, conta a gerente de vendas para soluções de arquitetura da Guardian.
 
A fachada do edifício recebeu vidros SunGuard Neutral Plus 50 on clear + fumê, com bloqueio de calor de aproximadamente 69% processador. A solução foi estudada em parceria com a Petinelli. “Nossa equipe é conectada em um trabalho conjunto com empresas consultorias de sustentabilidade e abrimos nosso portfólio a eles com todos os nossos dados técnicos para juntos calcularmos o melhor produto para uma necessidade e situação específica”, revela. O empreendimento da construtora Belmondo é pré-certificado LEED Platinum 3.0 Core and Shell. 

 

 

O desafio do Edifício JBZ, em Porto Alegre (RS), foi fazer uma fachada com vidros pretos mas que atendesse aos requisitos de eficiência energética da certificação LEED. Foram utilizados vidros SunGuard Neutral Plus 50 on clear + fumê, com bloqueio de calor de aproximadamente 69% 

 

 

 

Residências sustentáveis

Geralmente são os grandes empreendimentos que focam em um projeto sustentável para a aquisição de selos verdes, que valorizam as empresas executoras, principalmente as de capital aberto, visto que a preocupação com a sustentabilidade é vista com bons olhos, principalmente no mercado internacional. Porém, muitos projetos menores e residenciais estão buscando práticas sustentáveis, seja com ou sem a necessidade de obter uma certificação, mas com a principal finalidade de contribuir para a redução do consumo de recursos naturais e atingir mais conforto e qualidade de vida para os usuários. 

 

Neste caso, nem sempre são necessários vidros de alta performance para obtenção da pontuação e requisitos de uma certificação e há uma imensa variedade de tipos de vidros que podem ser aplicados, pois o material em si já um produto sustentável por sua fácil limpeza e por ser o  único que recicla sem decaimento. Um exemplo são os vidros impressos, que, além da finalidade estética, trazem privacidade e filtram o excesso de luz, proporcionando maior conforto visual. “A texturização bloqueia de alguma forma os raios solares, trazendo mais conforto lumínico. O vidro impresso pode ser utilizado na formação do vidro insulado, que traz conforto acústico, e na produção do vidro laminado”, ressalta Gabriel Zanatta, coordenador de Marketing da Saint Gobain Glass. 

 

A Casa Onda conseguiu reduzir a entrada de calor em mais de 50% com os vidros de proteção solar da linha Habitat e recebeu o Selo GBC Brasil Casa 

 

Para residências que querem ir além e obter o máximo desempenho, o Green Building Council criou o selo GBC Brasil Casa, que comprova a sustentabilidade do projeto. Somente oito edificações brasileiras foram premiadas e apenas uma está localizada na região sul do país, a Casa Onda, construída na cidade de Castro, no Paraná (PR). Para se tornar uma residência de 580 m² autossustentável e energicamente mais produtiva, diversos materiais tiveram a sua contribuição, porém, o vidro afirmou um papel de protagonista na construção. Em sua envoltura, foi aplicado o vidro Habitat, uma linha de vidros de proteção solar para residências fabricada pela Cebrace. A versão laminada do produto, com espessura de 4mm + 4mm, foi usada na fachada e em janelas, impactando positivamente no desempenho energético da casa. A redução de entrada de calor no ambiente chegou a mais de 50% e a economia de energia foi em torno de 30%. 

 
Outro projeto contemplado com certificação de sustentabilidade, neste caso o Selo Procel, outorgado pela Eletrobras e pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), foi a Casa Azul, situada em um condomínio fechado de alto padrão em Sinop, no Mato Grosso (MT). O projeto arquitetônico foi assinado por Carol Barreto, especialista em edificações sustentáveis, e teve também a contribuição dos vidros Habitat Refletivo Champanhe, aplicados na fachada e janelas.  O produto beneficiou a edificação ao barrar 40% do calor externo em relação ao ambiente interno. A versão refletiva do produto também ofereceu mais estilo ao envidraçamento e privacidade, limitando a visão do interior da edificação durante o dia. 

 

 

O São Paulo Corporate Towers, composto por duas torres corporativas, foi desenvolvido em parceria entre a Pelli Clarke Pelli Architects e a Aflalo/Gasperini  Arquitetos. Situado na Vila Olímpia, em São Paulo, uma área com mais de 19.000 m² de verde, com árvores nativas preservadas por anos, norteou todo o projeto paisagístico. O projeto possui pré-certificação Leed Platinum 3.0 Core and Shell graças à gestão eficiente de energia, água, e do bem-estar dos usuários. No São Paulo Corporate Towers foi aplicado na fachada de 60.000m² painéis de vidro insulado composto de SunGuard AG43 on clear/câmara/laminado incolor na tonalidade prata que bloqueia 70% do calor e alcança atenuação acústica de 40 Db, uma performance resultante do sistema composto de vidro e esquadria. O vidro foi processado pela GlassecViracon. 

 

 

Os vidros Habitat Refletivo Champanhe, aplicados na fachada e janelas da Casa Azul, beneficiaram a edificação que recebeu o Selo Procel ao barrar 40% do calor externo 

 

 

 

 

 

O Centro Corporativo Portinari, primeiro empreendimento a alcançar o nível mais alto do Green Building Council, o LEED Platinum, na região centro-oeste, contou com a eficiência do vidro de controle solar SunGuard Neutral Plus 50, da Série High Performance da Guardian Glass. Foram aplicados cerca de 2 mil m2 de vidro em uma fachada pele de vidro instalada com sistema stick, com o objetivo de otimizar a incidência solar nos ambientes internos e contribuir para a eficiência energética. “Esta composição contribuiu para diminuir a carga térmica e beneficiar o sistema de climatização, reduzindo a capacidade dos equipamentos e o consumo energético durante o uso e a operação. Além disso, a tonalidade mais neutra do vidro propiciou a perfeita integração dos ambientes interno e externo”, explica Felipe Bastos, diretor comercial da Central Vidros, empresa parceira da Guardian Glass e responsável pelo processamento dos vidros. Nas fachadas norte e oeste foram instalados ainda brises em vidro Extra Clear laminado da Guardian Glass, fixados com sistema spider glass. “A simulação energética realizada para a certificação LEED mostrou que os brises reduziram em 29% o ganho de calor pela envoltória”, conta Bastos. Os vidros da Série High Performance, da linha SunGuard, oferecem variedade de aparências, combinando transmissão de luz visível de média a alta, com menor ganho de calor solar. Por possuírem uma camada de prata em sua composição, estes vidros atendem aos mais exigentes requisitos de performance das certificações. 

 

 

O edifício AR3000 – Cabral Corporate & Offices, concluído pela construtora Andrade Ribeiro localizado em Curitiba (PR), recebeu a certificação LEED Platinum, a maior classificação existente para o selo verde, na qual o protagonista desta conquista é a fachada envidraçada. Com apoio técnico da Cebrace, a consultoria especializada em construções sustentáveis Petinelli realizou diversos estudos para determinar as melhores soluções em eficiência energética para a fachada, escolhendo o vidro de proteção solar Cool Lite KNT, de alta performance em aproximadamente 7.800,00 m². A fachada envidraçada colaborou para o resultado final de uma economia de 38% no consumo de energia porque utilizou vidros de proteção solar, que permitem a entrada de luz no ambiente, ao mesmo tempo bloqueando 76% do calor e quase 100% dos raios UV. Além disso, os vidros foram utilizados na versão insulada, que são lâminas duplas intercaladas por uma cavidade preenchida com ar ou gás, com o objetivo de obter melhor desempenho termoacústico.