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História de Vidro e Sua Cadeia

De vidro comum ao vidro beneficiado, o que todo vidraceiro precisa saber sobre o processo de fabricação na cadeia vidreira

14/04/2021

Peças da Beneficiadora Conlumi passando pela transformação em um forno de têmpera horizontal

Peça-chave nas vidraçarias e cada vez mais presente em nosso cotidiano, o vidro é considerado uma das descobertas mais surpreendentes do homem. O fato é que a indústria vidreira está em constante crescimento, seja na arquitetura, decoração, construção civil ou nos setores moveleiro e automotivo. Mas, afinal, você sabe como é fabricado o vidro? Neste artigo, vamos falar sobre o que todo vidraceiro precisa saber sobre a cadeia vidreira.

 

História e evolução do vidro

“A história do vidro é cercada de mistérios”. Por isso, antes de falarmos sobre a fabricação do vidro moderno que temos hoje, é fundamental conhecermos um pouco dessa história.

 

Embora os historiadores não disponham de dados precisos sobre sua origem, os primeiros  vidros foram encontrados nas necrópoles egípcias. Por isso, imagina-se que o vidro já era conhecido pelo menos 4 mil anos antes da era cristã e que foi descoberto de forma casual. 

 

Por volta do ano 100 a.C., as técnicas de fabricação se desenvolveram. Foi quando os romanos começaram a utilizar o sopro, dentro de moldes, na fabricação do vidro, o que possibilitou sua produção em série.

 

O apogeu desse processo se deu no século XIII, em Veneza. Após incêndios provocados pelos fornos de vidro, as fábricas foram transferidas para Murano, ilha próxima de Veneza. 

 

As vidrarias de Murano produziam vidros em diversas cores, e a fama de seus cristais e espelhos perdura até hoje. 

 

Agora que você já conhece um pouco da história do vidro, vamos ao assunto!

Estocagem de vidros na fabricante CEBRACE

 

Fabricação do vidro: de que é feito?

 

Durante anos a fabricação do vidro foi considerada uma arte. Utilizados em vitrais de igrejas e outras obras, eram fabricados de maneira 100% artesanal.

Atualmente, o método clássico e revolucionário mais utilizado na produção do vidro é o que chamamos de fusão/resfriamento. Alguns especialistas comparam o método com o preparo de um bolo.

Os elementos são misturados, levados ao aquecimento em altas temperaturas, o que causa o derretimento, moldados no formato desejado e, depois, são resfriados.

A proporção de cada material pode variar, mas geralmente a composição é feita por  areia (seu principal componente), calcário e barrilha. Em alguns casos são adicionados alumina e potássio.

 

Processo de fabricação do vidro

 

O processo de fabricação do vidro pode diferir de acordo com os aspectos tecnológicos ou estruturais de cada fábrica, porém todas têm em comum uma linha de produção dividida basicamente em seis etapas.


 

Depois de dosados e misturados, os materiais que compõem o float vão para o forno, onde são fundidos 

 

1 - Mistura dos elementos: A primeira etapa consiste na mistura da areia e demais elementos de composição”, acrescenta Henrique Lisboa, “As matérias-primas são dosadas, pesadas e misturadas em uma quantidade pré-determinada, chamada de batch. 

 

2 - Fusão: A segunda etapa é responsável pela fusão dessa composição. “Ela é depositada de forma contínua no forno, onde é fundida a uma temperatura de 1600o C”, especifica Lisboa. 

O processo de fusão é lento e determinado pelas correntes internas do tanque, que pode chegar a uma capacidade de até 3 mil toneladas. 

Um aquecimento, elétrico ou a gás natural, propaga-se na parte inferior, enquanto nas laterais há uma alternância entre gás e ar. “Após esta etapa, o vidro é refinado para que as impurezas e bolhas de gases originadas no processo sejam eliminadas”, detalha. “Em seguida, a massa de vidro fundido é condicionada à temperatura e viscosidade adequadas para ser transformada.”

 

3 - Banho Float: Depois de fundida, a massa de vidro é despejada em um tanque de estanho derretido, a uma temperatura de 650o C. “Devido à diferença de densidade dos dois materiais, o vidro flutua sobre o estanho em atmosfera controlada, como o óleo sobre a água, daí o nome do processo ser float (flutuar)”, informa Lisboa.

Na forma de uma folha contínua, o vidro é conduzido para fora do tanque por máquinas especiais, que determinam a largura da lâmina. 

É precisamente nesta etapa do processo que reside o grande diferencial do processo float. Ao deslizar sobre o estanho, devido às diferentes densidades, o vidro não adere nem se mistura, mas estabelece com ele um perfeito paralelismo, do qual resulta sua superfície perfeitamente lisa. 

Pelo controle da velocidade de saída da folha contínua de vidro, determina-se com precisão a espessura da chapa a ser produzida. Quando queremos fazer vidros mais finos, aumenta-se a velocidade de extração do vidro, que vai esticar e afinar. A velocidade é regulada pelos rolos que conduzem o vidro na saída do float. 

 

4 - Recozimento: Na quarta etapa, chamada de recozimento, a lâmina de vidro float é recozida dentro de um forno linear contínuo, chamado de “annealing lehr”. Quando rígida, a chapa passa sobre rolos transportadores num túnel de resfriamento, chamado de estenderia.

 

5 - Resfriamento: Nesta etapa, a chapa passa por um processo de resfriamento gradual, que permite que a tensão do material, que acabou de passar do estado líquido para sólido, seja controlada, favorecendo a etapa seguinte, de corte do vidro. 

 

6 - Corte do vidro: Resfriada, a lâmina contínua de vidro recozido é inspecionada automaticamente por scanners de alta precisão que poderão identificar defeitos pontuais, ópticos e dimensionais.

Depois disso, um sistema computadorizado seleciona e dimensiona o corte, transformando a lâmina em chapas de dimensões especificadas pelo mercado. Por fim, seguem-se a estocagem e o transporte do produto. 

Um sistema robotizado de manipulação a vácuo (com ventosas) assegura o levantamento vertical das chapas, que são dispostas em lotes, formando pilhas de lâminas de vidro float, prontas para serem enviadas ao cliente. 

 

Ciclo da Indústria vidreira do Brasil


Foto divulgação PKO do Brasil

 

O ciclo da indústria vidreira no Brasil é composto por três elos principais, são eles: usinas de base, processadores e distribuidores e os vidraceiros.

 

As Usinas de base 

São responsáveis pela produção contínua que transforma a matéria-prima em vidro. No Brasil, a chegada das usinas aconteceu no século passado. 

Além de vidros float comuns, as usinas ainda fornecem ao mercado os vidros de alto valor agregado e suas muitas possibilidades, como proteção UV, funções acústicas, os temperados e muito mais.

 

Os Processadores e distribuidores 

A cadeia vidreira também conta com as processadoras e os distribuidores. Essas empresas são responsáveis pelas transformações do vidro em temperados, laminados, insulados e muito mais. Além disso, elas têm o papel de fazer o corte dos vidros, entregando-os aos vidraceiros em medidas sob demanda. 

Após passar pelo processo de beneficiamento, o vidro é destinado para a construção civil (construtoras e vidraçarias), indústrias automotiva, moveleira e de linha branca.

 

O Vidraceiro 

É o vidraceiro que leva todo o vidro produzido pela cadeia até o consumidor final, é  ele o  responsável pela instalação.

Além disso, outras funções podem ser atribuídas ao vidraceiro, como cortes e lapidação e alguns ajustes finais antes da entrega do material ao consumidor.

E é por isso, que antes de fechar qualquer projeto, você, que é vidraceiro, precisa contar com boas parcerias. Esse processo é fundamental para que o vidraceiro ganhe e fidelize o seu cliente.

Consulte o nosso Guia de Fornecedores e encontre os principais fornecedores do mercado vidreiro.

 

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