O vidro float incolor importado ficou mais caro. Desde 29 de outubro, o imposto de importação sobre esse produto passou de 25% para 35%, e a medida vale até 25 de dezembro.
Parece assunto de importador, mas não é. A decisão mexe com toda a cadeia do vidro e pode chegar ao caixa da sua vidraçaria justamente na época de mais obras e entregas. Veja o que muda e como se preparar.
O que foi decidido
- Medida: Resolução Gecex nº 976, publicada no Diário Oficial em 27 de outubro de 2026
- Produto: vidro float incolor (NCM 7005.29.00)
- Alíquota: de 25% para 35%
- Validade: de 29 de outubro a 25 de dezembro de 2026
- Quem pediu: a Abividro, associação dos fabricantes nacionais de vidro
Atenção: o que vale é a data de registro da importação, e não a do pedido. Vidro registrado a partir de 29 de outubro já paga 35%, mesmo que tenha sido comprado meses antes.
Por que o imposto subiu?
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou mais de 126 mil toneladas de float incolor, quase o dobro do mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, o preço médio do vidro importado caiu cerca de 26%.
As usinas brasileiras alegam que não conseguem competir com esses preços. A sobretaxa deixa o produto de fora menos atraente e protege a produção nacional.
Como isso chega ao bolso da vidraçaria
1. Vidro importado mais caro.
A cada R$ 100 mil em vidro float importado, o imposto passa de R$ 25 mil para R$ 35 mil. Distribuidores e têmperas que trabalham com importado tendem a repassar parte desse custo.
2. Menos pressão sobre o preço nacional.
O imposto não altera a tabela das usinas brasileiras. Mas, com o importado mais caro, a concorrência diminui, e as usinas ganham espaço para reajustar.
3. Um mercado que já vem pressionado.
Em 2026, o float teve dois reajustes em cerca de 90 dias, em junho e em setembro. Um terceiro aumento não está confirmado, mas o cenário pede atenção.
4. Fim de ano no meio do caminho.
Novembro e dezembro concentram entregas de obras e fechamento de contratos. Um orçamento feito hoje com preço antigo pode virar prejuízo se o vidro subir antes da compra.
O que dizem os distribuidores
A Abravidro, que representa distribuidores e processadores, defende que a proteção à indústria venha com compromisso das usinas em relação a abastecimento, qualidade e preços justos. Afinal, proteger um elo da cadeia não adianta se os outros ficam sem condições de comprar e vender.
Como proteger sua vidraçaria até o fim do ano
- Encurte a validade dos orçamentos: prefira prazos de 7 a 15 dias enquanto o cenário estiver indefinido
- Inclua uma cláusula de reajuste: deixe claro no orçamento que o preço do vidro pode mudar até a compra do material
- Pergunte a origem do vidro: saiba se o seu distribuidor trabalha com vidro nacional ou importado
- Antecipe compras de obras já fechadas: garantir o material agora evita surpresa com reajuste em dezembro
- Revise sua margem: confira se o preço de venda ainda cobre os dois reajustes de 2026
- Marque o dia 25 de dezembro: é quando a medida perde a validade, e o governo pode renová-la ou não
Conclusão
A alta para 35% é temporária, mas chega num momento sensível: fim de ano, obras para entregar e custos já pressionados. Não dá para controlar o preço do vidro, mas dá para controlar como sua vidraçaria se protege dele.
Quem revisa orçamentos, conversa com o fornecedor e planeja as compras agora atravessa esse período sem ver a margem sumir.
A Vidro Impresso segue acompanhando o tema e vai informar se a medida for renovada após 25 de dezembro.
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