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Vidros curvos: valor agregado e grande diferencial nas obras

Ainda pouco explorados devido ao seu custo elevado e suas dificuldades técnicas, o vidro curvo traz um alto valor agregado a uma obra e diferencial aos profissionais envolvidos.

14/06/2017

Projetado pelo escritório Wingårdh Arkitektkontor, o Emporia Shopping Mall Malmö, localizado na Suécia, utilizou vidro duplo curvado em um tom bronze-ocre - Cridecor® Color Vanceva® 8+8mm Extraclear da Cricursa - para criar efeito impressionante que

Os vidros curvos trazem uma estética arrojada e um conceito diferenciado aos projetos. Geralmente, são aplicados principalmente em fachadas de edifícios e em guarda-corpos e fechamentos, especialmente nas quinas, ligando diferentes faces em vez de fazer algo anguloso ou facetado. Entretanto, a dificuldade técnica e os custos minimizam a aplicação deste material. “O vidro curvo é mais complexo de ser produzido, pois é necessário um trabalho de engenharia para verificar a viabilidade de produção da peça. Além disso, é preciso fabricar um ferramental (matriz/molde) específico para a produção das peças, como, por exemplo, se as peças tiverem dimensões ou raios diferentes”, diz Fábio Kabata, consultor técnico da Fanavid, empresa que produz vidros curvos.

 

Como é feito?

Para fazer a curvatura em vidro plano existem diversas formas, pois depende das características que o projeto demanda e da empresa fornecedora, podendo ser monolíticos, laminados, temperados, entre outros. “Primeiramente é preciso ‘planificar’ a curvatura, ou seja, no caso de peças com curvatura cilíndricas (de apenas um raio), pegamos a tamanho do arco para cortar e lapidar a peça de acordo com essa medida. Geralmente, no caso de vidros laminados, a lâmina interna e externa pode ter medidas de arcos levemente diferentes. Desenhar a peça num programa como AutoCAD pode ajudar na obtenção dessas medidas. Se a peça tiver diversos raios, como por exemplo, um para-brisa de carro, um programa de desenho 3D, como o Catia, ajudará a planificar a peça”, explica Kabata.

Após o corte e lapidação do vidro, a peça (ou o conjunto – no caso de vidros laminados) é colocada em uma matriz. Em seguida ela vai ao forno e é esquentada a temperatura de uns 650°C, assim, a peça irá amolecer e adquirir a curvatura da matriz. O tempo em que a peça permanece no forno depende da espessura do vidro, quanto mais espesso, maior o tempo de forno. Após a conformação, a peça é resfriada lentamente. Esse é conhecido como Processo por Gravidade.

No caso de vidro curvo temperado, há duas possibilidades. Tem-se um processo em que também é utilizada uma matriz para conformação da peça e em seguida ocorre o rápido resfriamento para que ocorra o tratamento térmico da têmpera. Já o outro processo não utiliza matriz. Após o vidro passar pela célula de aquecimento, ele é transportado para a área de resfriamento e então roletes móveis fazem a curvatura do vidro e o resfriamento da peça.

A Heatherwick Studio projetou duas belas casas de vidro curvo para a empresa de bebida Bombay Sapphire em Hampshire, Inglaterra. As duas estruturas escultóricas não só funcionam como destilarias, mas também ajudam a aquecer os edifícios existentes usando ar quente criado durante o processo de destilação. As estufas são usadas para crescer plantas tropicais e espécimes botânicos usados para criar o gin de Bombay Sapphire. O vidro utilizado é o 6T+6T Extraclear SG 1,52 (non-UV) Cricursa Shield, da empresa espanhola Cricursa, representada no Brasil pela T2G.

 

Alto valor agregado

 

Como o vidro curvo é um produto personalizado, que seguirá um novo molde de acordo com a solicitação do cliente, o custo de produção é maior, em torno de 100% em relação a uma peça plana equivalente. Tudo depende do custo do ferramental da matriz e quantidade de peças. Se forem produzidas muitas peças com a mesma matriz, esse valor se dilui pela quantidade. Porém, se for produzido apenas um item para uma matriz, o custo do ferramental é diluído em apenas uma peça, encarecendo ainda mais. 

“Somente o vidro pode custar algo entorno de 60% mais cara, mas o custo total depende muito da dificuldade de curvatura e dimensões. A instalação do vidro curvo fica mais caro também em função de todos os perfis e caixilhos que devem acompanhar a curva. Estes custos todos somados podem elevar a obra em vidro curvo a duas vezes ou mais o valor de uma obra em vidro plano”, destaca Mauricio Margaritelli, engenheiro da T2G, que possui diversas obras com vidro curvo em seu portfólio.

As esquadrias precisam também ser feitas sob medida, acompanhando ascurvas e angulação do vidro. Nestasobras, foram aplicados perfis da Weiku

Caixilho sob medida

Para fixação, podem ser usadas praticamente todas as técnicas do vidro plano, de acordo com Margaritelli. “O determinante aqui são os custos envolvidos em cada técnica.  Um caixilho curvo, por exemplo, demanda um grande custo de calandragem dos perfis com algumas limitações técnicas em relação aos perfis. Na instalação do vidro curvo, todos os perfis e caixilhos que devem acompanhar a curva, isto demanda trabalhos de calandragem e ou cortes especiais a lazer. Já a fixação pontual como a Spider fica mais acessível com braços dobrados ou pontos rotulados que acompanham as curvas”.

Neste tipo de projeto, além do vidro ser feito sob medida, os perfis também precisam ser personalizados, moldados de acordo com a curvatura do vidro, encarecendo ainda mais a instalação. A Weiku é uma das empresas que fazem essas esquadrias sob medida. “O PVC da Weiku é um material inteligente e pode ser trabalhado em curvas e ângulos, levando aos projetos a combinação do isolamento termoacústico juntamente com estilo e design únicos. Todos os perfis da Weiku são produzidos sob medida para atender às necessidades e especificidades de cada projeto, este processo é realizado na sala de dobra pelos nossos colaboradores que trabalham nas esquadrias especiais”.

A instalação é complexa, pois é preciso saber analisar o dimensional necessário, como raio, corda, etc, e poucos profissionais dominam a técnica. “As dificuldades vão desde o projeto até a medição na obra, a definição do sistema certo de fixação e a instalação efetivamente. A forma de pegar o vidro na obra também é diferente necessitando de ventosas especiais e ou outros equipamentos especializados. Tirando estas questões a instalação se dá da mesma forma que os vidros planos”, ressalva o engenheiro da T2G.

O armazenamento e transporte também são diferenciados. Além da movimentação do material ser feita com ventosas especiais ou outros equipamentos especializados, o vidro curvo requer uma atenção especial em relação ao transporte e armazenamento, pois ocupa mais espaço na carga e diminui o volume transportado. Geralmente as peças de vidro curvo precisam ser transportadas em racks apropriados ou em caixas de madeira, gasto levado em consideração na composição de custo de uma obra em vidro curvo. 

“As dificuldades vão desde o projeto até a medição na obra, a definição do sistema certo de fixação e a instalação efetivamente. A forma de pegar o vidro na obra também é diferente necessitando de ventosas especiais e ou outros equipamentos especializados. Tirando estas questões a instalação se dá da mesma forma que os vidros planos” Mauricio Margaritelli, engenheiro da T2G.

Equipamentos para curvação 

O curvatura do vidro pode ser feita em equipamento específico ou forno de têmpera com a função. As dimensões do vidro vão depender da capacidade da máquina. A Glamatec, por exemplo, possui um equipamento projetado para curvação e têmpera simultânea de peças de vidro com espessura de 5 a 10 mm. O modelo CT 150-100 produz vidros de 1,5 metro de largura por 1metro de altura e tem potência instalada de 160KW. Já a máquina CT 2200-1800 aceita vidros de 2,2metros de largura e 1,8 metro de altura e tem potência instalada de 2340KW.  A produção média estimada dos equipamentos, considerando um vidro de 5mm é de 20 peças por hora e aproximadamente 3 mil peças por mês. 

A Vidramaq também disponibiliza no mercado brasileiros equipamentos da Fushan para a produção de vidro curvo. A FBTC243615 faz a curvação em vidros de 5 a 12mm, tem 1.200kw de potência e capacidade de produção de 40 metros quadrados de vidro por hora. Já o modelo FBTL246039 produz vidros curvos de 4 a 19mm e tem potência de 1.282kw. 

Vista sem cortes

Localizada em Pinhalzinho – SC, a casa de 1000m² ocupa um lote de esquina de mais de 2000m² dentro da área urbana.  A fachada principal ganhou maior destaque através da escada helicoidal que fica envolvida por elemento com vidros laminados curvos. Assim também foram trabalhadas as sacadas, que com a curva harmonizaram o restante da obra. O efeito estético não teria sido o mesmo se não fossem utilizados estes vidros curvos.  O vidro é laminado curvo foi trabalhado como guarda corpo nas sacadas com uma composição de dois vidros de 6mm de espessura e uma lâmina incolor. 

“O objetivo foi ter uma otimização da fôrma do vidro, portanto, foram feitas em um mesmo raio de curvatura. Para tal, foi necessário dividir o vidro em 5 peças de 1,34m para cercar a sacada (extensão total de 6,87m). Há um espaço de dilatação entre cada parte de vidro. A fixação dos mesmos se deu através de botões de inox. O vidro foi produzido com os vazados em duas alturas onde o parafusos são colocados diretamente na viga de concreto. A altura deles é 96cm. Já no volume da escadaria, a lâmina é refletiva. Foram utilizados dois vidros de 7mm cada. Essa parte foi ainda mais ousada por ter uma altura de 7m e cerca de 8,90m de extensão. Esse vidro foi fixado como estrutural glazing, sendo que todas as partes são fixas (não há abertura). A trama foi quadriculada em 7 partes de vidro na horizontal por 5 na vertical”, revela a arquiteta Marcia Pilz.

Na obra do Centro Empresarial CNC (Confederação Nacional do Comércio), em Brasília-DF, foram utilizados 39 mil m² de vidro de controle solar azul, sendo 2 mil m² de vidros curvos e 37 de vidros planos, fornecidos pela Fanavid. A obra é da Consórcio SVC Construções

 

Uma moderna biblioteca foi construída no centenário, em 2006 da Universidade de Seikei, em Tóquio, no Japão. Visando priorizar o silêncio absoluto e tranquilidade dos estudantes, seu projeto incluiu esferas de isolamento que seguem a ideia de serem ‘planetas’ destinados a reuniões e trabalhos em grupo. Nessas “capsulas”, os alunos ainda têm uma visão panorâmica de toda a biblioteca. O átrio todo envidraçado também traz bastante claridade aos ambientes.  

Oficinas Baraka Murcia, projeto de 2013 que utilizou os  CRITEMP® Curvado Laminado 66.4 - StopSol Supersilver Neutro 6 mm # 2 da Cricursa

 

Museu das Confluências, em Lyon, na França

Gigante escultural

O Museu das Confluências, centro de ciências localizado em Lyon, na França, projetado pelo escritório austríaco Coop Himmelblau, exigiu uma complexa engenharia. A proposta combina em uma mesma edificação dois formatos diametralmente opostos: o de uma nuvem e o de um cristal. A ideia foi estabelecer um contraste entre dois volumes principais, um de característica mais rígida, com formas mais retas, e outro fluido, maleável e orgânico. Para criar este efeito, os arquitetos exploraram a movimentação criadas pelas ondas e inclinações do vidro curvado. 

Um funil de vidro e aço de 36 m de altura foi parcialmente construído com painéis de vidro curvo dobrados. As unidades de vidro curvo são suportadas horizontalmente apenas por um sistema de envidraçamento estrutural e foram formatadas por modelos tridimensionais projetados por computação gráfica. A superfície do “cristal” soma mais de 3,5 mil m2 de vidro, e inclui aproximadamente 2 mil chapas do material. O processo que envolveu o projeto e a aplicação dos vidros que revestem o cone também foi bastante complexo. 

Os painéis apresentam diferentes níveis de curvatura, sendo os 4 primeiros, situados na parte inferior, próximos à extremidade do cone, caracterizados por um raio de curvatura de apenas 500 mm. Esfericamente moldadas, as chapas tiveram de ser especialmente fabricadas para esse revestimento do “cristal”, e suas curvas aproximam-se dos limites tecnicamente viáveis. Os painéis de grande dimensão, com bordas de mais de 4,5 m de comprimento, tiveram de ser fabricados, moldados e curvados a quente inúmeras vezes, para que as bordas pudessem então ser cortadas nas dimensões exatas e encaixadas à estrutura com milimétrica precisão.

O Anfiteatro da USP, em São Paulo, recebeu cobertura decorativa em vidro temperado laminado curvo 20mm preso por Sistema Spider pela T2G  

No Terraço Itália, também em São Paulo, a T2G instalou guarda-corpo em temperado laminado curvo 20mm preso por Sistema Spider

Transparência ininterruptas 

O Museu de Arte de Toledo, nos Estados Unidos, abriga um espaço anexo de exposições dedicado à coleção e à produção de arte em vidro. O Pavilhão do Vidro foi concebido como um volume único que permite a visualização de todo o espaço através das camadas de vidro curvo, rodeando o visitante com a vegetação local. Individualmente, os ambientes enclausurados pelos vidros curvos transparentes resultam em compartimentos integrados, que atuam como zonas acusticamente isoladas, separando sutilmente os espaços. O vidro envolve os espaços, ao mesmo tempo em que forma contínuas elevações, ininterruptas por meio dos cantos arredondados.

Pavilhão do Vidro no Museu de Arte de Toledo, nos Estados Unidos

Os aproximadamente 130 mil m² do material foram fabricados em uma planta de float na Áustria e curvados e laminados na China, pela SanXin Glass Technology. A maioria das peças assume uma curvatura única. As estruturas de sustentação são formadas por finas e esparsas colunas de aço e as placas de aço instaladas nas laterais garantem leveza e aumentam a sensação de claridade. As esquadrias estruturais de aço diferenciam-se pela sua extensão, de 3,5 mil m², e pela altura do edifício, de 4,5 m. Há muito pouca estrutura visível, dando a sensação de que a construção está flutuando sobre o chão. O projeto é dos arquitetos japoneses Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, do estúdio SANAA.

A Ideia Glass inovou ao incorporar o vidro curvo em seus modelos de box, trazendo, além de uma decoração especial e diferenciada, um maior aproveitamento do espaço, pois o box Luna se adapta adapta facilmente à qualquer canto do banheiro. O box oferece um formato de manuseio funcional, podendo ser encontrado com duas peças (uma fixa e uma porta de correr),  ou com três peças (duas fixas e uma porta de correr). Como possui largura mínima de 90 cm² e máxima de 110 cm², pode ser instalado em banheiros de diversos tamanhos. Suas roldanas são aparentes.

O vidro curvo também é bastante aplicado em peças de arquitetura e decoração. A marca italiana Fiam possui uma série de modelos arrojados e super modernos de móveis com vidro curvo. 

Também para banheiros, a Astra possui diversos modelos de cubas de pia feitas em vidro temperado curvado. 

 

 

 

 

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