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Papo Direto

Todos no mesmo barco

Igor Alvim

17/07/2016

Engenheiro mecânico por formação, o consultor de esquadrias e fachadas Igor Alvim faz parte de uma seleta lista de profissionais que conhecem a fundo um mercado em momento de forte ascensão.

Engenheiro mecânico por formação, o consultor de esquadrias e fachadas Igor Alvim faz parte de uma seleta lista de profissionais que conhecem a fundo um mercado em momento de forte ascensão. Para ele, projetos de fachadas cada vez mais complexos exigem parcerias entre arquitetos e engenheiros, de um lado, e fabricantes, de outro.

Autor do projeto básico da primeira câmara de testes no Brasil para avaliação do desempenho das esquadrias de alumínio, Igor acredita que programas de
treinamento e estudo aprofundado são o caminho para a evolução do mercado nacional. Em 1988, fundou a QMD Serviços, que presta assessoria técnica às empresas da construção civil e que, em 1996, foi admitida como membro da ABCE (Associação Brasileira de Consultores de Engenharia), passando a ser a única consultoria em projetos de alumínio a ter essa certificação.

 

Nesta entrevista a Vidro Impresso, Igor mostra otimismo com o atual boom da construção civil, especialmente diante de uma nova postura de todos os envolvidos na cadeia produtiva, que se unem para estimular o debate dos problemas e a busca de soluções.

 

Vidro Impresso – Qual o impacto do atual boom da construção civil sobre o setor de esquadrias? Pode haver alguma dificuldade para atender a demanda?


Igor Alvim – Acredito que este bom momento seja um processo duradouro, todos os indícios apontam para isso. Se esse crescimento for mantido, certamente teremos problemas para atender o aumento da demanda.

 

 


VI – Cresce o número de fachadas belíssimas e às vezes complexas. Como se dá a interação entre arquitetos e engenheiros, por um lado, e fabricantes de esquadrias e vidreiros, por outro?


Igor – Hoje os arquitetos já veem o consultor como um parceiro. Antigamente, o consultor era contratado somente para dar parecer. Essa postura  mudou. Hoje ele faz o projeto, sendo quase um departamento técnico do serralheiro. Isso possibilita ter uma definição do conceito do projeto da caixilharia antes do fechamento
da obra, o que ajuda significativamente, por exemplo, na realização da concorrência. O mercado entendeu finalmente que estamos todos no mesmo barco, alguns
na popa, outros na proa. Mas há espaço para todos nesse mercado e uns devem colaborar com os outros. Se as empresas e profissionais ligados à construção civil forem para cima com o pensamento voltado para a qualidade, todos têm a ganhar e a tendência é de um número crescente de obras cada vez mais complexas e belas, visto que estamos progredindo rapidamente tanto em experiência quanto em conhecimento e preparo técnico.

 

 

 

VI – Como as empresas de esquadrias devem lidar com tais complexidades? Que requisitos técnicos devem ser atendidos por essas empresas? Igor – Os atuais sistemas de fachadas já estão no mercado há um bom tempo e hoje sua aplicação é corrente. Entretanto, não é qualquer serralheria que consegue aplicá-los. É necessário que a empresa tenha maquinário adequado, esteja capacitada para a leitura de um projeto. Daqui para frente precisamos de programas de treinamento
e debate aprofundado dos problemas e possíveis soluções.
VI – Quais problemas, por exemplo?

 

Igor – Algo que me parece faltar é obediência às normas técnicas estabelecidas para o setor. Elas não são impositivas, são indicativas. Havendo uma dúvida, elas são tomadas como referência. Normas para concreto armado ninguém ousa desobedecer, porque isso afeta diretamente a segurança do prédio. Já normas que se
referem a aspectos considerados secundários, como de sacadas, tendem a ser desconsideradas.

 

 

VI – Como se processa a adequação entre o fabricante de esquadrias e o fabricante de vidro?


Igor – Atualmente, a interação entre eles está chegando a um estágio muito bom, em que a preocupação com a qualidade do produto final é de ambos. Sendo assim, os atritos inerentes entre as atividades diminuem e as adequações necessárias são facilitadas.

 

 


VI – A indústria vidreira nacional está tecnologicamente atualizada?


Igor – Da mesma forma que ocorre no mercado de esquadrias, a procura pela qualidade e os projetos arrojados estimulam a indústria vidreira a correr atrás dos produtos de alta tecnologia existentes no mercado externo, assim como de máquinas e equipamentos.

 

 


VI – O momento da economia brasileira e o boom na construção civil têm exposto um gargalo de mão de obra. Como lidar com esse problema?


Igor – Para reduzir este gargalo, é necessário investir em treinamento, cursos, palestras e pesquisas. Este é o primeiro passo. Depois, teremos que melhorar os níveis de remuneração de toda a cadeia produtiva.

 

 


VI – Há escassez, também, de arquitetos e engenheiros?


Igor – A escassez é imensa. Muitos dos novos arquitetos e engenheiros desconhecem totalmente as possibilidades, soluções e pré-requisitos para um produto de qualidade.

 

 


VI – Considera satisfatório o grau de qualificação de engenheiros e arquitetos recém-formados? O que sugere quanto a isso?


Igor – As faculdades brasileiras não oferecem cursos de qualificação nem para o mercado de esquadrias, nem para o de vidros. Os profissionais que se formam não conhecem nada sobre a realidade desses setores.

 

 


VI – Como aproveitar as oportunidades que se abrem com os projetos previstos para os próximos anos, principalmente os ligados à Copa do Mundo e à Olimpíada?


Igor – No caso de nossa empresa, nos preparamos treinando mão de obra, investindo em tecnologia, adquirindo novos equipamentos e softwares. Quem fizer antes, estará em vantagem e sairá na frente no mercado.

 

 


VI – Quais as perspectivas para a economia brasileira na ordem mundial que se desenha depois da crise global?


Igor - Imagino que o crescimento irá se manter e logo estaremos em condições muito boas de competitividade com os demais países. 

 

 

 

VI – Quais as principais sugestões que faria ao futuro governo? 


Igor – Acredito que não deve haver mudanças no modelo econômico, apenas um esforço maior para redução de impostos e da burocracia de um modo geral. Quanto menos mexer, melhor será.

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