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Sustentabilidade em debate

2º Fórum Ecotech se volta a pesquisas de materiais que contribuam para tornar a edificação mais eficiente e reduzir o volume de resíduos na obra

03/08/2016

Projeto do escritório inglês ZEDFactory, especializado em edificações residenciais com carbono zero

Materiais construtivos inovadores e a integração de projetos tendo a eficiência energética como meta foram os assuntos centrais do 2° Fórum Ecotech - Fórum Internacional de Arquitetura e Construção Sustentável, o maior evento do País nas áreas de arquitetura e construção sustentável. Realizado em dezembro passado em São Paulo, o encontro teve como tema principal “Desafios e Tendências para uma Arquitetura Sustentável: Materiais e Energia”, e propôs aos profissionais de arquitetura, engenharia e design uma reflexão aprofundada a respeito da sustentabilidade. “O foco do evento foi a busca de melhores respostas e modelos aplicados na construção civil, propostos por importantes e renomados profissionais que atuam no segmento, no Brasil e do exterior”, afirma Cristiano Moura, sócio-diretor da AEA.

 

A proposta do Fórum foi analisar a questão sob o ponto de vista da melhoria da eficiência energética das edificações, bem como a utilização dos materiais e seu impacto sobre o meio ambiente, abordando aspectos como procedência, conteúdo reciclado, desmontabilidade e energia embutida, entre outros.
O evento contou com palestras de especialistas estrangeiros como o inglês Bill Dunster (The ZedFactory), do norte-americano Blaine Brownell (Transstudio) e do suíço Marc Holle (E m²N). Entre os palestrantes brasileiros, estiveram presentes nomes como Gilson Paranhos, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), José Armênio Brito da Cruz, do Piratininga Arquitetos, Marcelo Morettin, do escritório Andrade Morettin, Newton Massafumi, da Gesto Arquitetura, Claudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Solange Nogueira, da Eletrobrás, e Ricardo Baitelo, do Greenpeace.

 

Para a arquiteta Daniela Corcuera, responsável pela programação do evento, a questão da eficiência energética é um tema obrigatório, pois cerca de 75% do custo das edificações está diretamente relacionado à sua aplicação. “No entanto, cada vez mais os aspectos referentes aos materiais utilizados ganham importância, não apenas pelo fator econômico. A Análise do Ciclo de Vida (ACV), vista desde a extração e fabricação até o descarte e reciclagem, torna o estudo dos materiais um elemento vital na busca de novas alternativas sustentáveis em arquitetura e construção”, acrescenta.

 

Grande parte das discussões focalizou temas relacionados a energia e materiais, num resgate da natureza como fonte das grandes referências. “Várias áreas de estudos têm-se voltado para a natureza em busca de aspectos inovadores e assim deve ocorrer com a arquitetura, porque o edifício precisa receber um olhar holístico intradisciplinar e interdisciplinar, uma visão sistêmica e não segmentada”, sustentou Daniela, em seu discurso de abertura. Para ela, os especificadores devem exigir informações mais transparentes sobre os materiais. “Este é o próximo desafio para a sustentabilidade das edificações, pois a energia inerente aos materiais de construção tem sido uma preocupação crescente nos últimos anos.”

 

A arquiteta apresentou números: 40% dos recursos naturais extraídos são destinados à indústria da construção civil; 50% dos resíduos sólidos urbanos provêm de construções e demolições (em volume); 50% do consumo de energia elétrica vai para a operação das edificações. “Mas os fabricantes ainda resistem a abrir informações sobre o processo dos materiais”, disse Daniela.

 

Materiais do futuro

 

Um dos pontos de consenso do encontro foi a necessidade de melhor aproveitamento de materiais de uso habitual pela indústria de construção, com a preocupação, no entanto, de desenvolver pesquisas de novos materiais. “Há uma conscientização cada vez maior integrando urbanização, sustentabilidade e energia. Nossa pegada, nossa impressão digital sobre o planeta é indelével na natureza. Os recursos naturais mais fáceis já foram exauridos. A extração de chumbo, estanho, cobre e até de bauxita, por exemplo, ficará cada vez mais difícil, porque a parte de acesso mais fácil está esgotada”, afirmou o arquiteto Blaine Brownell, criador da Transstudio, empresa norte-americana de pesquisa e design focada no desenvolvimento de materiais e de estratégias construtivas inovadoras.
Além das palestras, o fórum promoveu visitas técnicas aos edifícios Eldorado Business Tower, Rochaverá Corporate Towers, Hospital Israelita Albert Einstein e Megaunidade do Laboratório Delboni Auriemo.

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