Seção

Tendência e Tecnologia

Oásis para o trabalho

Sinônimo de dinamismo e eficiência, vidro é elemento-chave na concepção de escritórios e edifícios corporativos

15/08/2016

O edifício corporativo assinado pelo arquiteto Alberto Campo Baeza ostenta uma fachada onde a transparência é onipresente

Criar ambientes confortáveis, amplos e iluminados. Eis a principal tarefa dos vidros em projetos de uso comercial e corporativo. Diretamente relacionado ao conforto, o material já se consolidou como recurso primordial em espaços destinados a abrigar atividades de trabalho e de compras, contribuindo para torná-los descontraídos, alegres e dinâmicos, características que influem tanto no desempenho dos funcionários como na permanência dos clientes. Mundo afora, arquitetos e decoradores encontram no vidro uma solução abrangente para agregar sofisticação, integração e versatilidade a seus projetos, na busca de soluções criativas e eficazes para dividir áreas individuais e compartilhadas.

 

Grandes fachadas envidraçadas costumam predominar em projetos desse tipo, mas as aplicações do vidro têm proliferado também em portas, paredes, guarda-corpos, divisórias e mesmo em pisos, passarelas e coberturas. “Como a maioria das pessoas vive mais tempo no trabalho do que em qualquer outro lugar, as empresas têm-se preocupado em criar um espaço adequado para seus profissionais”, comenta a arquiteta urbanista Bianka Corrêa. “Todo gestor quer observar, coordenar e interagir com seus colaboradores, pois uma gestão presente e participativa é sinônimo de sucesso”, diz Bianka. “Além do aspecto estético e conceitual, o vidro tem vantagens como durabilidade, fácil manutenção e propriedades acústicas”, acrescenta o arquiteto Antonio Caramelo, da Caramelo Arquitetura.


Em ambientes e edifícios corporativos, as palavras de ordem são produtividade e eficiência. Por essa razão, os vidros de controle solar seletivos ganham espaço nesses projetos, em substituição à alvenaria. “Internamente, portas, divisórias e repartições envidraçadas, transparentes e coloridas valorizam aspectos como integração visual, privacidade e dinamismo”, observa Fernanda Cerboncini, coordenadora de marketing da Pilkington/Blindex. Para oferecer ainda mais eficiência aos espaços, há ainda os vidros de alta performance com características autolimpantes, de segurança, hidrofugantes e anti-embaçantes.


Dando sequência à série “aplicações não residenciais”, confira, a seguir uma seleção de projetos corporativos diferenciados que se amparam nos atributos únicos do vidro para atingir seus objetivos estéticos e funcionais.Na próxima edição de Vidro Impresso, ambientes para compras.

 


 

Duas vezes vidro

Zamora offices
Zamora, Espanha

 

Zamora offices

Concebido como uma caixa envidraçada, o edifício corporativo assinado pelo arquiteto Alberto Campo Baeza ostenta uma fachada onde a transparência é onipresente. O fechamento com uma camada dupla de vidro é o ponto alto do projeto. Emoldurada por altas muralhas, construídas com a mesma pedra que marca a arquitetura da catedral ao lado, a caixa transparente assume um aspecto delicado, como se fosse feita de cristal. Os vidros extra clear garantem os efeitos de máxima transparência e mínima reflexão. A camada externa é constituída por chapas em medidas de 600 x 300 x 1,2 cm, unidas com silicone estrutural e nada mais, evitando interferências visuais e suavizando as linhas de junção entre elas. As estruturas em triedro na parte superior também são integralmente de vidro, acentuando o efeito de transparência e transmitindo a sensação de que a construção é feita de nada mais do que ar. A fachada foi executada pela espanhola Proinller, especializada em engenharia estrutural em vidro.

 

 

Escritório de vidro

Soho Glass Office
Xangai, China

 

Soho Glass Office Xangai, China

Vidros e espelhos revestem de ponta a ponta todas as superfícies do Soho Glass Office, projeto concluído pela AIM Architecture no final de 2013. Instalado em um complexo multiuso de 140 mil m², o escritório combina transparência e reflexão com o intuito de promover variados jogos de luz e efeitos visuais. No teto, a transparência dos vidros deixa à mostra a estrutura original do prédio, criando uma “dupla realidade” mesclada com vistas espetaculares do centro de Xangai. Luzes e superfícies refletem por todo o espaço, e tornam-se ainda mais difusas pelos revestimentos espelhados. A proposta arquitetônica de usar “vidro e nada mais”, por meio da instalação de múltilpas camadas do material, torna o projeto ao mesmo tempo complexo, arrojado e instigante.

 

 

Espaços colaborativos

Gensler offices
Newport Beach, CA (EUA)

 

Espaços colaborativos

Espaços colaborativos

 

Criar espaços amplos e conectados, que equilibrem privacidade com iluminação natural. Essa foi a premissa seguida pelos arquitetos do escritório Gensler na concepção de sua filial em Newport Beach. O intuito principal era promover espaços iluminados, com layout e decoração diferenciados, fatores que influenciaram diretamente no aprendizado, produtividade e motivação dos colaboradores. Especializada em sistemas de portas de correr, a empresa espanhola Klein foi a fornecedora das portas de vidro da linha Extendo, instaladas de forma a diluir as barreiras visuais entre os departamentos, criando espaços integrados e colaborativos. Por não apresentarem molduras ou trilhos no piso, as portas dão a sensação de maior abertura e fluidez à zona de passagem. Além disso, seus painéis são mais finos, ocupando menos espaço. No Brasil, as linhas da Klein são distribuídas com exclusividade pela Glass Vetro.

 

Divisórias tecnológicas

Escritório contemporâneo
Campinas, Brasil

 

 

Destaque na Casa Cor Campinas de 2014, o escritório projetado pelo casal de arquitetos Daniele Guardini e Adriano Stancati, em parceria com a Marelli Ambientes Racionais, roubou as atenções dos participantes da mostra ao exibir divisórias hi-tech separando a sala de reuniões dos demais ambientes. Dividido em espera, sala de reuniões e sala do presidente, o projeto explorou o que há de mais inovador em matéria de tecnologia.  Instaladas ao redor da sala, as divisórias exemplificavam uma aplicação inteligente dos vidros ionizados, que ao toque de um botão ganham aspecto de vidro fosco. “Ao mesmo tempo em que proporcionam privacidade quando necessário, os vidros deixam o ambiente mais clean, mantendo 100% de transparência e interação sempre que desejado”, comenta Stancati. O ambiente é todo automatizado e o usuário pode comandar por controle remoto a iluminação, o ar condicionado, as persianas, o áudio e vídeo e até o vidro ionizado.

 

 

Impactante e eficiente

Endesa Headquarters
Madrid, Espanha

 

Endesa Headquarters Madrid, Espanha

Assinado pelos arquitetos do KPF, escritório com representações em Nova York, Londres, Xangai, Hong Kong, Seul e Abu Dhabi, o premiado projeto da sede corporativa da companhia espanhola de energia Endesa combina design inovador com um programa ambiental avançado. Com o objetivo de expressar seu comprometimento com a sustentabilidade e simultaneamente garantir conforto a seus funcionários, a empresa incorporou diferentes recursos tecnológicos ao edifício, entre os quais o impactante envelope envidraçado de sua fachada. Os vidros triplos low-e maximizam a penetração de luz solar e minimizam os ganhos de calor. Ao mesmo tempo, diferentes tipos de sombreamento são promovidos por uma série de estruturas de aço galvanizado, associadas a brises de alumínio controladas por controle remoto. Na cobertura, os 861 painéis de vidros somam uma superfície de mais de 3 mil m². De formatos e tamanhos variados, as chapas foram laminadas com vidros temperados de 8 mm e polímero SentryGlas, da Dupont, como camada intercalar.

 

Arquitetura etérea

Centro de Inovação Sauflon
Gyál, Hungria

 

Centro de Inovação Sauflon

 

Limpa e etérea. Assim se define a atmosfera do centro de inovação das lentes de contato Sauflon, inaugurado em 2013 na cidade de Gyál, na Hungria. Os vidros foram o elemento central empregado pelos arquitetos do Foldes Architects para criar espaços inspiradores para produção de ciência, tecnologia e arte. Dirigido por Laslo Foldes, o projeto contou com a contribuição do escultor vidreiro András Bojti para compor os efeitos visuais e ilusões de ótica. O vidro é protagonista do projeto, em três grandes pontes que atravessam o espaço de ponta a ponta, assumindo a aparência de uma grande massa refletiva. Nas portas dos vestiários, o material atua como um elemento flutuante, remetendo às composições geométricas de Mondrian. Já nos guarda-corpos do piso superior, os vidros neutros, exercem papel predominantemente funcional. Os tipos de vidro aplicados incluem refletivos multilaminados, temperados com impressão personalizada e temperados acidados, todos fornecidos pela AGC da Bélgica. Constituídas por suportes de aço, as estruturas de sustentação foram pintadas para se manterem imperceptíveis. Ferragens pontuais unem as chapas umas às outras.

 

Fachada orgânica

48 North Canal Road
Singapura

 

 

Os arquitetos do Woha foram contratados para criar um novo conceito para a fachada deste edifício de escritórios. O intuito era adaptar a construção às diretrizes de conservação e planejamento urbano de Singapura, sem comprometer seus aspectos históricos. O projeto consistiu na concepção de uma fachada de vidro que contrastasse com o concreto da edificação. A fachada envidraçada tira proveito de sua localização, em uma esquina, e permite penetração profunda de luz solar em todos os andares e escritórios do edifício. O sistema unitizado da fachada cortina conta com unidades de vidro duplo, aplicadas em uma malha de alumínio extrudado, para prover sombreamento aos escritórios. Já a fachada inferior assume um formato orgânico e tridimensional, constituído por chapas triangulares de vidros laminados low-iron (com baixo teor de ferro). Fornecidos pela Singapore Safety Glass e instaladas pela Permasteelisa Singapore, os painéis são sustentados por braçadeiras de vidro estrutural, encaixadas em molduras que acompanham o formato das chapas de vidro.

 

Contato com a natureza

Dardanel Administration Building
Istambul, Turquia

 

Pisos, guarda-corpos, portas, divisórias, paredes, coberturas, tampos de mesa. Neste escritório projetado pelos arquitetos do Alatas Architecture o que não falta são belos e bem sucedidos exemplos de como explorar o vidro em espaços corporativos. Originalmente erguida no século XIX, a antiga residência apresentava inúmeros problemas estruturais. O concreto original foi então reforçado por peças de aço, ao mesmo tempo em que inúmeras paredes foram removidas em prol da comunicação interna, dando lugar a extensas divisórias de vidro. A transparência é reforçada por móveis envidraçados, enquanto a sala de reuniões no subsolo conta com uma cobertura de vidro projetada para funcionar também como piso do andar superior. A superfície transparente que abriga a sala de reuniões atua como um jardim no piso onde estão os escritórios. O objetivo da aplicação foi prover condições ideais de trabalho em cada ambiente, trazendo luz solar ao longo de todo o dia, além de garantir a conexão dos profissionais com o mundo externo enquanto trabalham. Nos meses de inverno, um sistema especial permite que o ar quente acumulado sob a superfície de vidro seja transferido para o piso térreo, contribuindo para o aquecimento dos ambientes por meio de circulação natural.

 

 

 

 

Deixe seu comentário