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O que você precisa saber para trabalhar com vidro jumbo

O vidro jumbo tem inúmeras aplicações e traz exuberância aos projetos com uma ampla vista sem interferências de recortes e esquadrias

23/07/2018

A Rieteiland House, localizada na Holanda, tem pé direito alto recoberto de vidro

 

Com a tendência de aproveitar ao máximo a iluminação natural e a integração entre ambientes, os projetos têm priorizado cada vez mais grandes vãos, e o mercado vidreiro acompanha este processo viabilizando chapas de vidro maiores, com extensões superiores às convencionais, conhecidas como vidro jumbo.

 

Normalmente, o tamanho padrão fabricado no Brasil é em torno de 2,4m x 3,21m. O vidro jumbo mais comumente aplicado é o de 6,00m x 3,21m, podendo ser temperado e/ou laminado e passar por outros processos de beneficiamento, inclusive espelhação.

 

Em função de seu tamanho, as chapas jumbo também precisaM ser mais espessas, e precisam ter 6, 8 ou 10mm de espessura, não menos que 6mm para não quebrar, nem mais que 10mm para não ficar pesada demais. Para se ter uma ideia, uma chapa de 10 mm pesa 500kg, e se passar por laminação atinge uma tonelada.

 

O vidro jumbo traz exuberância aos projetos e uma ampla vista sem interferências de recortes e esquadrias. Quanto menos recortes o vidro tiver, mais apresentável ele fica. Uma obra com a utilização de chapa jumbo torna-se um destaque, tem característica de exclusividade, criatividade e sofisticação.

 

Rieteiland House
 

Tendência no Brasil e no mundo

 

As possibilidades do vidro jumbo são inúmeras, fachadas, guarda-corpo, visor de piscina, vitrine de lojas, entre outras aplicações. No Brasil, o vidro jumbo surgiu na década de 90, com pequenos volumes, que foram crescendo com o tempo a medida que o mercado foi se adaptando e investindo em novos equipamentos e tecnologias.

 

Obras com o vidro jumbo no tamanho original ainda são raras no Brasil, por questões de estrutura dos processadores e beneficiadores e demanda para justificar tais investimentos. Na Europa, por exemplo, o mercado de chapas jumbo é muito superior ao de placas menores, mas essa é uma tendência que vem crescendo e uma oportunidade nova de um mercado para ser explorado.

 

É um mercado com oportunidades tanto para beneficiadoras, pois este tipo de produto pede tratamentos de segurança que irão agregar valor, quanto para projetistas e instaladores que irão se diferenciar ao trazer abertura para a criatividade, resultando em projetos exclusivos, que necessitam mão de obra especializada e profissionais diferenciados.

 

Prova disso é aumento significativo de temperadores que estão trocando de fornos para jumbo e aumentando as possibilidades para laminação de jumbo. É também um mercado muito promissor para vidraceiros. Na opinião de especialistas, o vidro jumbo se tornará em breve um produto de alto valor agregado e acessível a todos os vidraceiros  tanto por conta das ofertas de serviços e produtos como pela crescente demanda de projetos nessa área.

 

 

Estimulando o desenvolvimento do mercado

 

Para tornar realidade projetos mais audaciosos e dar asas à imaginação de arquitetos, o mercado foi se desenvolvendo para trabalhar com essas “chapas gigantes”, pois para serem aplicadas em grandes dimensões necessitariam de processos de beneficiamento que conferem maior segurança, como o de têmpera e a laminação.

 

Os fabricantes de equipamentos precisaram, então, evoluir para que maiores chapas de vidro pudessem ser produzidas e beneficiadas. Esta evolução consistiu basicamente no desenvolvimento de equipamentos de maiores capacidades, já que o sistema de trabalho permaneceu o mesmo.

 

Assim como a indústria teve que se desenvolver e criar equipamentos adequados, o setor de esquadrias também se adaptou e ampliou sua gama de produtos, pois, em muitos casos, para suportar com segurança grande placas de vidro são necessários caixilhos especiais.

 

Normalmente, os vidros jumbos não precisam de fixação especifica se a fixação normal estiver devidamente feita. O importante é que os perfis dos caixilhos de alumínio são estruturalmente aptos para receber um vidro de grandes dimensões, já que recebem uma carga total de vento bem maior do que um caixilho de dimensões medianas.

 

Há várias formas de fixação de um vidro jumbo em um caixilho. Uma das mais indicadas é a fixação com baguete, pois não só permite a montagem completa da folha antes de colocar o vidro, mas também viabiliza a troca do vidro no caso de quebra sem ter que fabricar e montar uma folha completamente nova.

 

O Museu Van Gogh, em Amsterdã na Holanda, recebeu grandes chapas de vidro duplo com tamanhos de até 10 metros

 

Manipulação especial

 

Um dos maiores desafios do vidro jumbo é a movimentação, pois ele necessita de transporte, manipulação e armazenagem dentro e fora da fabrica diferenciados. A armazenagem necessita de várias pessoas e toda movimentação deve ser feita com equipamentos específicos, fabricados exatamente para este fim.

 

Isto evita qualquer interação manual no vidro, preservando a segurança dos trabalhadores. A armazenagem deve ser feita de forma apropriada, ou seja, deve-se utilizar barreiras e separadores. As instalações têm de ser apropriadas: a altura do galpão, portas de acesso, mesas de corte, ponte rolante e estoque.

 

Em geral a movimentação de cargas é feita através dos cavaletes metálicos tipo L-frame, a movimentação de pacotes é feita através de pontes rolantes com dispositivos específico. O transporte rodoviário é feito com caminhões especiais, conhecidos como inloader, que transportam os cavaletes.

 

Os pacotes de vidro jumbo são mais pesados, a partir de 4 toneladas, e contém mais chapas em comparação com o tamanhos padrões, isto é necessário  para garantir estabilidade e robustez aos pacotes.

 

 

Custo diferenciado

 

O preço do vidro em si não é afetado, pois neste caso, a medida dele não interfere no preço. No entanto, os custos de fretes são diferentes em comparação com as medidas padrão, pois demandam veículos especiais, como já citado.  Quanto maior a distância, provavelmente maior o custo de frete do jumbo que pode impactar no custo final ao cliente.

 

Além disso, o investimento em equipamentos para sua manipulação, mão de obra especializada e uso de maquinário adequado para fazer seu beneficiamento, processos necessários por se tratar de um vidro pesado e extenso, encarecem o produto final em aproximadamente de 20 a 50%.

 

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