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Arte em Vidro

Interação e versatilidade

Inaugurado na China em maio passado, o Museu do Vidro de Xangai une arte, arquitetura e recursos tecnológicos para promover experiência multidisciplinar com o material

16/11/2013

Luminosos espaços destacam os múltiplos efeitos e possibilidades do uso do vidro

Abrir espaço para as ilimitadas possibilidades que o vidro oferece à arte e à arquitetura. Esta é a visão que guiou a concepção do Shangai Glass MuseumSHMOG, ou Museu de Vidro de Xangai. Parte das estratégias políticas chinesas que pretendem tornar a cidade um grande centro da cultura mundial nos próximos anos, o SHMOG é um dos mais de cem museus que a cidade programa erguer na próxima década. 

 

Com projeto arquitetônico comandado pelo escritório alemão Logon Architecture, que usou como base o conceito de justaposição de passado e presente, o museu faz parte do G+ Glass Theme Park, espécie de polo chinês de pesquisas sobre o vidro. “Não é um modelo convencional de museu, com espaço de exibição e loja de presentes. É a sua interatividade que vai atrair e manter os visitantes entretidos por horas”, afirma Pascal Hartmann, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do Logon. 

 

Ocupando uma área de mais de 5 mil metros quadrados, o museu foi instalado e patrocinado pela Shanghai Glass Company, tradicional fábrica de vidros que testemunhou o desenvolvimento da indústria vidreira na cidade, tendo preservado e mantido um século de história e cultura envolvendo o material. “Percebendo a extraordinária riqueza histórica que a antiga fábrica guardava em seu interior, Xhang Lin, CEO do museu, transformou-a em um espaço destinado à ampla e irrestrita produção artística, um lugar onde o vidro provê recursos para as mais extraordinárias e inventivas criações”, conta o curador do museu, Chen Ying. 

 

Facetas do vidro

 

O empreendimento incorporou uma moderna estrutura projetada pela equipe de arquitetura da Logon, que inclui 30 prédios já existentes. O resultado é um design que integra as características únicas da arquitetura original a novas simbologias e às mais modernas funcionalidades. “O projeto é tão grande que foi dividido em quatro fases. Na primeira, foi construído o museu e uma área para apresentações sobre a fabricação de objetos de vidro, ambos inaugurados em maio”, relata Ying. As demais fases do parque temático “G+ Glass” são um campo de esculturas na fase dois, um parque científico na fase três e um parque de negócios na fase quatro. Tudo deve ficar pronto por volta de 2018.

 

Museu Shangai

O acervo abriga peças vindas do mundo todo, de antiguidades a obras contemporâneas

 

A construção contou com o apoio de profissionais chineses e de outras nacionalidades, como alemães, franceses e suíços, e o espaço manteve o espírito da fábrica, incorporando tecnologia de ponta para trabalhar o vidro, ao criar ambientes modernos e interativos.

 

Em seu interior, o vidro preto reflete as luzes LED e telas posicionadas por todo o espaço, dando uma sensação multidimensional que enfatiza a interação, a interdependência e as influências dos períodos, continentes, materiais e pessoas envolvidas na arte do artesanato e na indústria do vidro.

 

Esses recursos de concepção do espaço, diz Yiing, fazem com que uma visita ao museu se torne uma experiência interativa e participativa ao longo da história do vidro. Segundo descreve o curador, o museu distribui as obras expostas em cinco partes. As primeiras são intituladas “O que é o Vidro?”; “Desenvolvimento tecnológico e artesanal”; e “Do Cotidiano às tecnologias de ponta”. A essas etapas seguem demonstrações de criatividade artística envolvendo o vidro, além de workshops em um estúdio para trabalhar vidro quente, em que também é exposto um panorama da história, do conhecimento, da indústria e da tecnologia vidreira. O colorido ambiente onde as obras de arte estão expostas oferece uma rica experiência sensorial aos visitantes, integrando arte e arquitetura vidreiras de forma surpreendente. “O museu exibe obras de arte de alto nível, tanto da China quanto de fora, incluindo trabalhos de Stanislav Libenský, Lino Tagliapietra, Steven Weinberg, Dale Chihuly, Colin Reid e Zhuang Xiaowei.

 

Além de preservar e recordar uma história centenária, o museu proporciona aos visitantes um novo tipo de experiência ao partilhar as inúmeras possibilidades do vidro. E contará com exposições, workshops, estúdios artísticos, laboratórios de pesquisa, lojas, cafés e restaurantes.

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