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Tendência e Tecnologia

Impressões marcantes

Vidros com cores e imagens estampadas oferecem diferenciais estéticos associados ao controle de luz e calor

22/08/2016

São inúmeros os processos hoje empregados na transformação do vidro float em material decorativo e personalizado. Entre os mais eficazes figuram a serigrafia e a impressão digital, ambos considerados versáteis soluções para combinar estética e sombreamento em uma ampla gama de aplicações. “Especialmente em fachadas, além de oferecer alta resistência à corrosão provocada por intempéries, o vidro serigrafado oferece uma infinidade de recursos artísticos ao arquiteto”, comenta o diretor da Divinal Vidros José Antonio Passi. “Outro benefício importante é a privacidade. Em muitos casos, os vidros serigrafados oferecem bloqueio total da visibilidade de um ambiente para outro, preservando a translucidez”.


Os serigrafados são vidros temperados que recebem pintura com esmalte cerâmico em seu processo de fabricação. Essas pinturas podem assumir inúmeras combinações de padrões geométricos e cores, com grande resistência à abrasão na superfície, permitindo atender às mais diversas propostas e linguagens. “Muito além de seus diferenciais estéticos, os serigrafados são uma solução sustentável capaz de bloquear o calor e filtrar a entrada de luz”, afirma o diretor Marcelo Martins, da Speed Temper.


Cartões de visita dos edifícios, as fachadas têm recebido vidro serigrafado como elemento de diferenciação entre um projeto e outro. O produto vem sendo amplamente explorado em fechamentos de áreas externas, em coberturas e fachadas, especialmente em frente a vigas. Nesses casos, o lado da pintura deve ficar protegido pelo caixilho, para não sofrer exposição ao tempo e assim durar mais. Para a diretora de projetos da Pacaembu Vidros, Silvia Romano, o vidro serigrafado ainda é pouco usado pelos arquitetos brasileiros. “É um material de custo acessível, mas que agrega muito valor aos ambientes”, ressalta. O produto está entre as especialidades da Pacaembu, que oferece mais de 196 combinações de desenhos e cores. 


Quanto aos sistemas empregados, há o padrão, em que o desenho é feito em tela e aplicado no vidro, e o sistema a laser, no qual o desenho em alta definição é copiado em programa de computador e segue para impressão, como ocorre na plotagem. A cor da tinta cerâmica da serigrafia feita pelo método padrão ou por impressão digital não perde sua tonalidade com a incidência solar, porque a cerâmica se funde ao vidro com a ação do calor.


Em linhas gerais, os métodos se distinguem pela forma como a imagem é impressa no vidro. A serigrafia trabalha com uma matriz silk screen, ou seja, um quadro de alumínio com tecido de poliéster esticado, no qual é gravada a imagem a ser impressa no vidro. Para cada cor do desenho haverá uma matriz ou quadro específicos. No caso da impressão digital, é possível reproduzir uma imagem diretamente do arquivo eletrônico para o vidro, independentemente da quantidade de cores e tonalidades.

 

 

Um navio ancorado em Manhattan
Edifício IAC | Nova York, EUA 

 

Erguida no coração de Manhattan, a sede do conglomerado InterActiveCorp é o primeiro projeto do famoso arquiteto americano Frank Gehry para a cidade de Nova York. Sua fachada escultural costuma ser comparada a um grande barco à vela, branco e cintilante, a flutuar pela ilha. Desde o início, foi estipulado que a fachada seria integralmente envidraçada. Para obter o efeito, a cor e o formato desejados, o arquiteto recorreu aos vidros curvos com serigrafia branca. Com medidas de 10,6 X 6,7 metros, os painéis foram curvados no próprio local, por um processo a frio. Em alguns cantos, o edifício se contorce a um ângulo de 150o do piso ao teto. O branco foi escolhido para fazer alusão às velas. Uma pintura uniforme, no entanto, não traria a transparência necessária para garantir visibilidade de dentro para fora. A solução então usar a frita com esmalte cerâmico branco formando pequenos pontos na parte de baixo e de cima das chapas, deixando uma faixa transparente intermediária. À noite, as listras desaparecem e o edifício se transforma em um aquário transparente, brilhante e iluminado.  

 

 

Camuflagem urbana
Sede da Allianz | Zurique, Suíça

O novo plano diretor da cidade foi o fator principal a determinar o padrão serigráfico a ser adotado na sede da Allianz na Suíça. Segundo o plano, todas as edificações deveriam ter suas fachadas revestidas por pedras naturais. Os arquitetos do Wiel Arets tiveram então a ideia de usar uma pele de vidro com padrão abstrato de mármore Onyx, permitindo à construção misturar-se com seu contexto, sem com isso abrir mão de uma aparência distinta. Composto por uma torre, um anexo e quatro pontes verticais conectando cada volume, o edifício cria um desenho único em meio à paisagem da cidade. Cada elemento da fachada contém um sistema de cavidade fechada, no qual foi instalada uma cortina prateada revestida de liga de alumínio, que promove uma variação no grau de sombreamento de acordo com as condições ambientais externas.

 

 

 

 

 

 

 

 

Reforço vertical
Edifício Zuellig | Manila, Filipinas

Edifício de uso misto, o Zuellig Bulding é um verdadeiro marco arquitetônico de Manila. Assinada pelo escritório SOM, sua fachada cortina exibe um padrão de frita cerâmica capaz de conferir ao projeto uma identidade marcante e uma estética singular. Os painéis duplos de vidro low-e atuam em conjunto com o sombreamento promovido pelos padrões serigráficos para garantir taxas mínimas de ganho solar e perda de energia, ao mesmo tempo em que permitem inundar de luz natural 90% do espaço dos escritórios. O desenho adotado foi inspirado em temas orgânicos locais como o bambu e o fluxo da água, e também cumpre a função de reforçar o aspecto vertical da torre. O edifício foi o primeiro das Filipinas a receber a certificação Leed Gold, concedida pelo U.S. Green Building Council.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Árvores virtuais 

Projeto Gingko | Beekbergen, Holanda

 

 

 

 

Em uma fusão de arte, arquitetura e tecnologia, o projeto Gingko, assinado pelo estúdio holandês Casanova + Hernandez Architecten, teve como objetivo integrar um complexo habitacional à natureza do parque em frente ao edifício. Sua fachada é resultado de uma proposta de intenso diálogo com a natureza. Na chamada “pele verde” que envolve o edifício, a transparência visa conectar os apartamentos com o parque, e nas chapas de vidro foram estampadas folhas da árvore Gingko Biloba. As diferentes tonalidades de verde e amarelo reagem constantemente às variações de luz, criando efeitos únicos a cada estação do ano. As imagens impressas conferem privacidade às varandas dos apartamentos, ao mesmo tempo em que garantem conexão visual entre os espaços externos e o parque. Cada painel recebeu uma impressão diferente, criando uma imagem de vegetação contínua e orgânica que se espalha por toda a fachada. O vidro atua como uma “fachada verde virtual”, fundindo-se com o verde do parque e reduzindo o impacto visual nos arredores.

 

 

 

 

 

Pedra ou vidro? 

 

Com um dos maiores acervos de música da Alemanha, incluindo partituras, registros sonoros, livros e imagens, a Universidade de Artes Folkwang precisava de um edifício que protegesse a coleção do excesso de exposição à radiação solar. Foi com essa premissa em mente que o arquiteto Max Dudler concebeu o projeto da Biblioteca Folkwang. A inusitada solução adotada envolveu a criação de uma fachada integralmente envidraçada, que imita formato e textura de pedra. Os 600 painéis receberam diferentes padrões digitalmente impressos, capazes de reproduzir com precisão o aspecto desejado. O envelopamento protege o acervo e garante penetração parcial de luz, ao mesmo tempo em que confere ao prédio uma identidade capaz de dialogar com os demais edifícios no campus. Os vidros foram fornecidos pela Saint-Gobain Glass

 

Fachada-colmeia

Biblioteca Pública de Calgary
Calgary, Canadá

 

Com o intuito de materializar um espaço público de alta tecnologia voltado para atividades de pesquisa e inovação, o escritório Snohetta concebeu um projeto vibrante, que pudesse abraçar a diversidade urbana e cultural de uma cidade em plena expansão. Em uma geometria única, a fachada da biblioteca combina vidros translúcidos incolores com chapas serigrafadas opacas para controlar a entrada de luz solar e os níveis de claridade em cada ambiente. Assim, zonas de máxima transparência atraem a atenção do público para as atividades internas, enquanto áreas mais fechadas promovem espaços mais introspectivos para leitura e estudo.

 

 

 

Códigos impressos


Lev Office Building
Ljubljana, Eslovênia

 

Erguido em uma das esquinas mais movimentadas da cidade, o edifício corporativo Lev foi projetado para representar o portão de entrada para o centro da capital eslovena. Orientada pelo anel central da cidade, a edificação concebida pelo arquiteto Andrej Kalamar ganhou uma fachada que sobrepõe camadas com cores e padrões serigráficos. O projeto usa diferentes tonalidades e formas geométricas para estabelecer um jogo dinâmico de transparência e opacidade. Os padrões serigráficos imitam os códigos cromossômicos onde está impresso nosso DNA. Além de criar um efeito visual que permite expor a camada interna de metal, o vidro foi escolhido pelo arquiteto por ser um material inerte, que não pode ser pichado e está livre de influências atmosféricas ou de poluição. 

 

 

 

Erguido em uma das esquinas mais movimentadas da cidade, o edifício corporativo Lev foi projetado para representar o portão de entrada para o centro da capital eslovena. Orientada pelo anel central da cidade, a edificação concebida pelo arquiteto Andrej Kalamar ganhou uma fachada que sobrepõe camadas com cores e padrões serigráficos. O projeto usa diferentes tonalidades e formas geométricas para estabelecer um jogo dinâmico de transparência e opacidade. Os padrões serigráficos imitam os códigos cromossômicos onde está impresso nosso DNA. Além de criar um efeito visual que permite expor a camada interna de metal, o vidro foi escolhido pelo arquiteto por ser um material inerte, que não pode ser pichado e está livre de influências atmosféricas ou de poluição. 

 

 

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