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Foco na inovação

Em busca de consolidação no mercado nacional, AGC reforça posicionamento de vanguarda e aposta em vidros com alta tecnologia agregada

06/07/2016

Na mira das principais fabricantes vidreiras com operações no Brasil, os vidros de alto valor agregado avançam em uma gama crescente de segmentos, firmando-se como aposta promissora para a retomada do crescimento do mercado. “Acredito que estamos em um momento de amadurecimento da indústria, em que devemos concentrar o foco em produtos mais complexos, com tecnologias mais avançadas, que ofereçam novos recursos de aplicação. Esta deverá ser a mola a impulsionar o consumo de vidros no Brasil nos próximos anos”, afirma o executivo Davide Cappellino, presidente da AGC do Brasil. Foi com base nessa visão que a fabricante trouxe ao mercado brasileiro uma das mais avançadas soluções oferecidas pela companhia: os vidros antibactéria. 


Pouco mais de dois anos após ter inaugurado sua primeira fábrica no Brasil, na cidade de Guaratinguetá, interior de São Paulo, a multinacional de origem japonesa aposta no lançamento como parte de sua estratégia para ganhar novos segmentos, atender demandas mais sofisticadas e consolidar-se como detentora de alta tecnologia em produtos e processos de fabricação. “A inovação tecnológica está no DNA da AGC. Queremos reforçar essa identidade e ser referência nesse campo no mercado nacional”, afirma o diretor de marketing da AGC do Brasil, Denis Ramboux. Para ele, a crise atravessada pelo País exige uma postura mais ousada por parte de toda a cadeia. “Precisamos nos dedicar não somente a reduzir custos, mas em desenvolver e aprimorar novos mercados”.  


Solução ideal para hospitais, os vidros antibactéria foram lançados no mercado nacional em agosto deste ano. Adaptável a qualquer ambiente arquitetônico, o produto tem como proposta central garantir segurança a médicos e pacientes, por ser capaz de eliminar 99,9% das principais bactérias presentes em ambiente hospitalar, além de prevenir proliferação de fungos, segundo testes da Universidade Livre de Bruxelas (Bélgica) e da Salford University (Reino Unido). Indicada para hospitais e clínicas, entre outros ambientes, a solução já recebeu diversos prêmios de inovação científica pelo mundo.


Segundo explica Ramboux, trata-se de uma tecnologia desenvolvida e patenteada pela AGC, que consiste na difusão de íons de prata sobre as camadas superiores do material. Em contato com essas partículas, as bactérias têm seu metabolismo desativado e sua divisão mecânica interrompida, o que acaba por destruí-las. O resultado é um produto ideal para utilização em locais onde a assepsia é vital para pacientes e médicos, como unidades de tratamento intensivo, recepções de hospitais e alas de cirurgia e procedimentos. “Além disso, é recomendado também em ambientes que exigem máxima higiene, como restaurantes, cozinhas e banheiros”, observa o diretor.


Além dos benefícios funcionais, os vidros antibactéria agregam diferenciais estéticos ao projeto, podendo ser oferecidos em diversas cores e também sob a forma de espelho. “Trata-se de um produto versátil, que se adapta a uma infinidade de ambientes, principalmente os de grande circulação”, diz Ramboux.  Os vidros antibactéria, quando usados em janelas e portas externas, alinham-se à tendência dos hospitais de aumentar o uso do vidro em sua arquitetura, dando aos pacientes maior oportunidade de contato com o mundo exterior e, consequentemente, humanizando a internação.


“Este modelo de vidro pode ser utilizado em janelas, divisórias e portas encaixilhadas ou com persianas internas, como revestimento de parede e de móveis (quando pintado), como espelho bactericida e ainda como box de banho, quando encaixilhado”, diz Katia Sugimura, consultora externa da empresa. “O material remete à modernidade e é tendência em locais onde há necessidade de maior rigor de higiene”, acrescenta.


Para o diretor Denis Ramboux, “o vdro antibactéria foca em um nicho de mercado que a AGC gostaria de desenvolver. Casos recentes de infeções bacteriológicas em hospitais renomados reforçam nossa visão e evidenciam a necessidade de trazer soluções inovadoras de proteção à saúde”, ressalta. Difundidos e consolidados na Europa, os vidros antibactéria têm sido especificados desde em projetos de hospitais, clínicas e consultórios a hotéis restaurantes. “Considerando sua versatilidade, somada à grande quantidade de clínicas sendo construídas ou modernizadas no Brasil, é um produto de grande potencial de mercado”.


Atualmente, os vidros antibactéria são importados da Bélgica, mas, segundo Ramboux, em um futuro próximo poderão ser fabricados internamente. Para o próximo ano, a empresa programa o lançamento dos vidros corta-fogo, mais um exemplo de produto diferenciado e de alto valor agregado. “São mercados como esse que pretendemos desenvolver no Brasil. Há cerca de dez anos atrás, iniciamos um trabalho similar em países emergentes que não tinham mercado para o vidro corta-fogo e que hoje estão entre os maiores mercados da AGC no segmento”.


Gigante mundial do vidro plano, a AGC foi agregada à base da indústria vidreira nacional no final de 2013, quando acendeu seu forno e passou a oferecer ao mercado nacional seus primeiros vidros “made in Brazil”. A unidade, que começou a ser construída em novembro de 2011, recebeu investimentos muito mais elevados do que os inicialmente previstos, totalizando números que bateram na casa dos 300 milhões de euros, ou seja, mais de 1 bilhão de reais. Situada às margens da Rodovia Presidente Dutra, a planta hoje abastece o mercado com vidros planos para as áreas de arquitetura e automotiva, além dos espelhos da linha Glaverbel, considerados os melhores do mundo, fabricados com tecnologia da tradicional indústria belga.

 

“Precisamos nos dedicar não somente a reduzir custos, mas em desenvolver e aprimorar novos mercados”

 

 

 

Entrevista | Davide Cappellino, presidente da AGC do Brasil

 

Quais considera os principais diferenciais da atuação da AGC no Brasil em relação às suas concorrentes? 

 

Gosto mais de falar de clientes do que de concorrentes. Nossa aspiração principal no Brasil, assim como no mundo todo, é sermos parceiros confiáveis para nossos clientes, capazes de acompanhá-los em seus desafios e objetivos. Esta é a base de nossa proposta de valor. Claro que queremos também entregar produtos de alta qualidade, tendo como um de nossos pilares o atendimento diferenciado e próximo. Outro diferencial é a qualidade superior de nossos produtos. Além de alguns produtos exclusivos da AGC no segmento de decoração, caso dos espelhos Glaverbel e dos vidros pintados Lacobel e Lacobel T, únicos pintados temperáveis do mundo. E acabamos de lançar também o vidro antibactéria, outro produto exclusivo no qual apostamos alto e acreditamos que será um sucesso no Brasil. Queremos nos destacar ainda por meio de nossos diferenciais no atendimento e na logística, segmento que estamos inovando no Brasil, com a introdução da entrega em cavaletes no lugar dos colares. Hoje, 95% de nossa entrega vai em cavaletes. A chegada da AGC também inovou e impulsionou o mercado para uma evolução no nível de atendimento ao cliente no Brasil.

 

Quais as principais apostas e objetivos da AGC para 2016?


Queremos estar próximos de nossos clientes. Sabemos que estão enfrentando um momento econômico complicado, por isso nosso foco principal é apoiar e contribuir com os projetos que nossos clientes estão adotando como meio de enfrentar a crise. Queremos ajudá-los a reduzir custos, oferecendo maior flexibilidade e uma logística mais eficiente. Sabemos que essa evolução deve continuar, ainda que de um jeito diferente do que foi no passado. E também queremos continuar a propor novos produtos, por acharmos que nossos clientes vão ter de mudar um pouco seu modelo de negócios. Nos últimos anos, assistimos a um crescimento fantástico no consumo do vidro, que não deve se manter nos próximos. Isso leva à necessidade de uma mudança de estratégia, focando menos no crescimento em toneladas e mais na diferenciação, com produtos mais complexos e inovadores. A AGC pode contribuir muito nesse sentido. Temos muitos produtos em nosso portfólio que só aguardam uma demanda do mercado para serem lançados. 

 
De que forma o lançamento dos vidros antibacterianos pode estimular o aumento do consumo do vidro?


O Brasil ainda não tem um consumo alto de vidro em revestimento de parede, que apresenta um potencial de milhões de metros quadrados. Além de proporcionar um acabamento sofisticado, o vidro oferece facilidade de limpeza, higiene, design diferenciado do ambiente. O vidro antibactéria oferece uma solução ideal para o revestimento de superfícies em locais onde hoje nem sempre utilizamos vidros. É uma solução moderna e tecnológica que abre espaço para novas aplicações.

 

O Brasil assiste a um fim de ano permeado por pessimismo no plano econômico. Como a AGC deve se portar diante desse cenário? 


A crise está aí. Não podemos negar que passamos por uma situação econômica difícil. Sabemos que nossos clientes já estão tomando medidas para reduzir custos e aumentar a eficiência, aspecto ao qual a cadeia vidreira talvez tenha dado a devida atenção, muito em razão do crescimento acelerado dos últimos anos. A prioridade era atender ao aumento da demanda. Agora temos que nos concentrar na eficiência. A desaceleração do crescimento gera uma oportunidade de criar um sistema produtivo mais eficaz. De nosso lado, além de focarmos em nossa fábrica, sabemos que muitas soluções podem vir de fora. Ou seja, mapear o crescimento, trazendo produtos mais complexos, pois oferecem grande potencial de crescimento. A demanda do mercado por produtos com maior valor agregado tem aumentado. A crise é também uma oportunidade para impulsionar uma mudança positiva na cadeia de valor do vidro, com mais eficiência e diversificação. Tanto estamos conscientes da crise em curto e médio prazo, como confiamos no desenvolvimento futuro e no potencial da cadeia vidreira, que continuará a crescer por muitos anos ainda.  

 

De que forma os fabricantes de vidro têm sido particularmente afetados pela crise?


Foi um ano difícil para todo mundo, e muito difícil para os fabricantes de vidro também. Tivemos um aumento importante dos nossos custos. Obviamente estamos atrelados aos custos envolvidos na produção do vidro e a maioria dos insumos mais pesados em termos de custos sofre um impacto direto do câmbio, como é o caso do gás. Além disso, muitas matérias primas importantes para a produção do float, do espelho e de produtos transformados, são importadas em dólar, pois ainda não temos uma cadeia produtiva estruturada internamente. Além de alguns produtos acabados que não são produzidos aqui. Paralelamente, tivemos que lidar com uma contração do mercado. Assim como todos os atores da base industrial, enfrentamos um ano muito complicado.

 

Que avaliação faz do desempenho do mercado vidreiro neste último ano?


O mercado vidreiro está acompanhando de perto a evolução econômica do Brasil. E aqui, assim como em outros países, o consumo do vidro está muito atrelado à evolução do PIB. Em alguns países, esse consumo chega a crescer mais do que o PIB. Como o PIB sofreu uma retração, o consumo do vidro acompanhou essa retração de forma muito consistente. Outro efeito relacionado à evolução cambial foi a redução das importações, que retardou parcialmente o efeito da queda da demanda, com a redução da importação do float e também do produto acabado, especialmente no início de 2015. Esse efeito compensou parcialmente a queda da demanda. Agora que a queda das importações chegou a um patamar bastante baixo, o que fica é a contração da demanda, que estamos observando claramente no momento atual. 

 


Qual a importância e o papel das operações da AGC no Brasil no contexto de sua atuação global?


Entre as quatro regiões em que a AGC opera (Ásia, Europa, América do Sul e América do Norte), é na América do Sul que temos menor presença. Aqui, nossa história foi iniciada há exatos dois anos atrás, com a implantação de nossa primeira fábrica no Brasil. Trata-se de um mercado ainda pequeno para a AGC, mas para o qual o grupo tem um olhar especial. Foi uma porta de entrada e um investimento importante, cuja evolução é acompanhada muito de perto pela AGC global. Temos aqui de uma região estratégica, com um potencial de crescimento importante em termos de mercado e na qual pretendemos continuar investindo e aumentando nossa participação.

 

Em linhas gerais, qual tem sido a estratégia de atuação da AGC especificamente para o Brasil, desde sua chegada ao País?


O Brasil é um mercado diferenciado na América do Sul. Nossa estratégia foi de entrar no mercado com muito respeito por nossos clientes, tentando trazer inovação e adquirir a confiança do mercado. Estamos muito satisfeitos, pois, com apenas dois anos de produção, conquistamos essa confiança, o que é uma grande honra para nós e que confirma que nossa estratégica foi acertada. Nos consolidamos como parceiros honestos e transparentes. Também pretendemos começar a olhar para os países vizinhos, iniciando uma estratégia de exportação, sempre considerando a situação atual de câmbio do Brasil. 

 

Quais os objetivos de negócio da AGC para o Brasil nos próximos anos?


Nesta fase queremos dar ênfase a alguns produtos de nossa linha, como o Lacobel T, que estamos começando a produzir internamente. Além disso, pretendemos dar sequência aos lançamentos de produtos de valor agregado, como os antibacterianos. Pretendemos em breve começar a desenvolver outro mercado interessante, o dos vidros corta-fogo. Em termos de investimento, neste momento nosso foco é utilizar plenamente os recursos já aplicados, sem deixar de planejar o futuro. A AGC tem planos de expansão no mercado brasileiro, que devem acompanhar a evolução da cadeia vidreira e a situação econômica no País. Acreditamos muito no futuro do País e sabemos que o crescimento vai voltar. 

 

Quais os produtos da AGC fabricados no Brasil?


Fabricamos float incolor, verde para aplicações arquitetônicas e automotivas, fumê, espelhos, o Lacobel, que é o vidro pintado, e Lacobel T, vidro pintado e temperado. Quanto aos novos produtos, por enquanto vamos continuar importando da Bélgica, pois primeiro precisamos desenvolver esses mercados, para então iniciarmos a produção local. 

 

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