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Tendência e Tecnologia

Fachadas em pele de vidro

Tendência na arquitetura mundial, as obras de empreendimentos totalmente cobertos por vidro são cobiçadas por serem lucrativas e possibilitar prazos mais curtos de construção, através de técnicas que evoluem constantemente

24/08/2016

O Complexo Esportivo CPJ, entregue em 2014 na cidade Lauro de Freitas (BA), teve sua fachada em pele de vidro feita com vidros laminados e temperados 10mm com película de proteção termo-acústica.

 

As primeiras fachadas de vidro surgiram nos anos 60, ainda com estrutura de alumínio totalmente visível saliente ao vidro, aplicada em um conceito chamado fachada cortina ou grid, porque marca as justas do vidro do lado externo, tanto na vertical como na horizontal, como uma grade. A fachada cortina é formada por uma coluna de alumínio composta por presilha e tampa, onde a coluna é fixada em locais estruturais da edificação e o perfil tipo presilha fixado a esta coluna através de parafuso, pressionando o vidro contra gaxetas de borracha. 


A estrutura foi sendo levada para o lado interno, valorizando mais o vidro. Conhecida como pele de pele de vidro por deixar a fachada mais lisa, o sistema eliminou as saliências causadas pelas capas convencionais. As primeiras instalações eram mecânicas, com o vidro encaixilhado. Na década de 80 a técnica evoluiu e surgiu outro tipo de pele de vidro: a estrutural glazing, na qual o vidro é fixado quimicamente, colado através de adesivos estruturais, camuflando totalmente o alumínio. O primeiro projeto no Brasil que utilizou o sistema glazing foi do edifício do Citibank na Avenida Paulista, em São Paulo, concluído em 1986. Desde então, a técnica começou a suprimir a tradicional.

 

Fachada stick x fachada unitizada

 

Inicialmente, a construção das fachadas pele de vidro era feita no sistema stick, em que a instalação da fachada é processada em etapas, montada peça a peça: colunas, travessas e, finalmente, os painéis de vidro fixos ou móveis ou os revestimentos de alumínio. Toda essa construção é efetuada pelo lado externo da edificação utilizando andaimes e/ou balancins, exigindo rigor nas medições prévias e cuidado redobrado com a segurança dos trabalhadores. Esse tipo de fachada é muito usual atualmente, mesmo com suas peças - como colunas, travessas, painéis e folhas de vidro - tendo que ser instaladas com o auxílio de um andaime, já que o baixo custo de transporte, manuseio e a flexibilidade para ajustes proporcionam vantagens consideráveis. 

 

Entretanto, o sistema mais usado atualmente em edifícios corporativos e que representou um marco no mercado é a fachada unitizada, que teve sua primeira aplicação no Brasil em 2002, no Banco de Boston, localizado na Avenida Nações Unidas, em São Paulo. Montada por módulos, com coluna, travessa e vidro em uma célula única, gerando módulos completos, com perfis, vidros colados, gaxetas de vedação e demais componentes, permitiu antecipar a estrutura para fora da obra, ganhando em produtividade, pois não era mais preciso esperar o término dos acabamentos necessários na construção. 

 

Neste sistema, cada célula tem sua coluna desmembrada possibilitando encaixes tipo macho e fêmea com altura do andar tipo da edificação. A produção desse módulo já contempla a fixação da travessa horizontal na coluna, sendo que o vidro é colado diretamente nessa estrutura, formando o painel modular. Levados para a obra prontos para serem instalados, esses módulos passaram a garantir mais segurança aos trabalhadores e tornou o balancim desnecessário. A instalação passou a ser feita pelo lado interno, no apoio da laje, sendo que cada módulo içado é colocado por encaixe, em fileiras, começando de baixo para cima. 

 

“A fachada unitizada é o mais atual sistema em termos de inovação. Sua montagem é feita pelo lado interno da edificação, com mais segurança e produtividade, além de liberar a sequência de obra, pois, por ser montada em sentido horizontal, libera a edificação por andares, possibilitando a execução de atividades que só podem ser realizadas com o andar estanque, por exemplo, como forros, pisos e elevados. Porém, a logística de montagem e instalação é muito mais complexa e exige todo um procedimento específico para cada projeto com variações nos sistema de transportes”, explica José Sabioni, engenheiro e diretor comercial da Etefal, que tem um portfólio de mais de um milhão de metros quadrados de fachadas de pele de vidro construídas.

 

Apesar da unitizada garantir maior estanqueidade e durabilidade, além das técnicas seguirem processos opostos, a fachada stick ainda conta com a preferência de muitos projetistas. Há também construções com o sistema híbrido, que mistura ambos, em determinados espaços da fachada a instalação pode seguir o esquema unitizado e em outras o stick. A unitizada tem custo um pouco maior, mas sua velocidade de instalação é três maior que com a stick, porque não necessita de balancins. Além disso, ela pesa um pouco mais, apesar de gastar menos acessórios, menos mão de obra de fabricação e de instalação. “A fachada stick é muito utilizada em obras de pequenas áreas aplicadas ou que não comportem o custo de engenharia que no sistema unitizado tem um peso muito mais relevante”, compara Sabioni.

 

O edifício EZ Towers, concluído em 2015, possui grandiosos 54.700m² com vidros laminados refletivos em sistema Schüco, em obra realizada na capital paulistapela Etefal com consultoria de Paulo Duarte. O projeto do empreendimento de 32 pavimentos ficou a cargo do arquiteto Carlos Ott e a construção foi executado pela construtora EZTEC. 

 

Inicialmente, a construção das fachadas pele de vidro era feita no sistema stick, em que a instalação da fachada é processada em etapas, montada peça a peça: colunas, travessas e, finalmente, os painéis de vidro fixos ou móveis ou os revestimentos de alumínio. Toda essa construção é efetuada pelo lado externo da edificação utilizando andaimes e/ou balancins, exigindo rigor nas medições prévias e cuidado redobrado com a segurança dos trabalhadores. Esse tipo de fachada é muito usual atualmente, mesmo com suas peças - como colunas, travessas, painéis e folhas de vidro - tendo que ser instaladas com o auxílio de um andaime, já que o baixo custo de transporte, manuseio e a flexibilidade para ajustes proporcionam vantagens consideráveis. 


Entretanto, o sistema mais usado atualmente em edifícios corporativos e que representou um marco no mercado é a fachada unitizada, que teve sua primeira aplicação no Brasil em 2002, no Banco de Boston, localizado na Avenida Nações Unidas, em São Paulo. Montada por módulos, com coluna, travessa e vidro em uma célula única, gerando módulos completos, com perfis, vidros colados, gaxetas de vedação e demais componentes, permitiu antecipar a estrutura para fora da obra, ganhando em produtividade, pois não era mais preciso esperar o término dos acabamentos necessários na construção. 


Neste sistema, cada célula tem sua coluna desmembrada possibilitando encaixes tipo macho e fêmea com altura do andar tipo da edificação. A produção desse módulo já contempla a fixação da travessa horizontal na coluna, sendo que o vidro é colado diretamente nessa estrutura, formando o painel modular. Levados para a obra prontos para serem instalados, esses módulos passaram a garantir mais segurança aos trabalhadores e tornou o balancim desnecessário. A instalação passou a ser feita pelo lado interno, no apoio da laje, sendo que cada módulo içado é colocado por encaixe, em fileiras, começando de baixo para cima. 


“A fachada unitizada é o mais atual sistema em termos de inovação. Sua montagem é feita pelo lado interno da edificação, com mais segurança e produtividade, além de liberar a sequência de obra, pois, por ser montada em sentido horizontal, libera a edificação por andares, possibilitando a execução de atividades que só podem ser realizadas com o andar estanque, por exemplo, como forros, pisos e elevados. Porém, a logística de montagem e instalação é muito mais complexa e exige todo um procedimento específico para cada projeto com variações nos sistema de transportes”, explica José Sabioni, engenheiro e diretor comercial da Etefal, que tem um portfólio de mais de um milhão de metros quadrados de fachadas de pele de vidro construídas.


Apesar da unitizada garantir maior estanqueidade e durabilidade, além das técnicas seguirem processos opostos, a fachada stick ainda conta com a preferência de muitos projetistas. Há também construções com o sistema híbrido, que mistura ambos, em determinados espaços da fachada a instalação pode seguir o esquema unitizado e em outras o stick. A unitizada tem custo um pouco maior, mas sua velocidade de instalação é três maior que com a stick, porque não necessita de balancins. Além disso, ela pesa um pouco mais, apesar de gastar menos acessórios, menos mão de obra de fabricação e de instalação. “A fachada stick é muito utilizada em obras de pequenas áreas aplicadas ou que não comportem o custo de engenharia que no sistema unitizado tem um peso muito mais relevante”, compara Sabioni.

 

 

Construído na Avenida Nações Unidas, em São Paulo, a sede do Banco de Boston recebeu a primeira fachada em pele de vidro feita  no sistema unitizado

 

Mão de obra especializada para garantir a segurança

 

Como são determinados os profissionais que executam a obra de uma fachada em pele de vidro? As construtoras costumam fazer concorrência para escolher a empresa que executará a obra da fachada. Convidam a maioria que vai participar e as empresas orçam em cima de um projeto de um consultor de fachadas, geralmente contratado pela própria construtora. A obra complexa envolve uma equipe de diversos profissionais, como engenheiros, arquitetos, orçamentistas, especificadores, fiscais e encarregados, que devem estar capacitados adequadamente. “Temos 200 colaboradores. A atividade que executamos é de risco, extremamente complexa, exige mão de obra qualificada e equipamentos adequados. Tem que resultar em uma beleza final e seguir normas de desempenho, estanqueidade, etc. Temos cursos de reciclagem para nossos funcionários e temos a ISO 9001-2008 há 13 anos”, conta o engenheiro da Etefal.


Márcio Adriano Matias, que atua há 27 anos no mercado de fachadas e há sete anos montou a Strulev, revela que já observou muitos projetos mal executados e até acidentes envolvendo o descolamento do vidro da fachada. “Não existe um projeto igual ao outro, todos tem sua particularidade. Minha margem de erro é pequena, mas tem que saber o que está fazendo, já vi muita gente tentar fazer e não conseguir. Isso acontece quando a empresa se aventura e compra qualquer fita. O vidro cai e compromete a segurança de quem está dentro e fora do prédio. Acontece também de efetuarem a obra com o profissional errado e ligarem pedindo para eu socorrer. Mas eu não mexo no projeto dos outros, não sei o que fizeram e refazer o que está errado dá trabalho em dobro. Já perdi a concorrência para quem não tinha certificado e ancoragem de aço. Depois tiveram que refazer a fachada, que tinha risco de queda porque o vidro era menor que o quadro. Em outro caso se via o vidro se mexer e vão visível. Aí dá processo e coloca vidas em risco”, alerta. 

 

A obra corporativa Berrini One, um dos destaques de São Paulo, foi idealizada pelos arquitetos Aflalo & Gasperini. A fachada de 22.000 m2 em pele de vidro, feita pela Etefal com consultoria da QDM Consultoria, recebeu vidros laminados refletivos através do Sistema Hydro. 

 

Sem economia com os materiais

 

A construção de uma fachada de pele de vidro é mais cara, chegando a custar 40% a mais, por utilizar elementos de alto custo em sua composição, como a fita adesiva dupla face ou silicone estrutural, que une o vidro ao alumínio, além de equipamentos como balancins ou mini gruas e mão de obra qualificada. Economizar nesses itens é o maior erro, que pode colocar em risco a segurança do projeto, enfatiza Matias. “Imagina aquele vidro descolar? Já aconteceu. Tomo muito cuidado com isso e uso fita estrutural da 3M. Passamos o projeto e eles analisam a composição da fita. Ninguém compra sem ter o projeto aprovado e eles estipulam a quantidade de fita. A empresa tem que ter o treinamento efetuado pela 3M, que acompanha a colagem e fiscaliza depois. Seguindo todo o processo corretamente, garantem a fixação por 20 anos”.


O diretor da Strulev destaca também um outro tipo de economia comum que estraga toda a obra: a escolha do parafuso. Este fixador, se for de ferro, enferruja em contato com o alumínio. “Tem que usar de aço inox mesmo sendo muito mais caro. Também não se pode economizar com o silicone, em que a diferença é grande e maior ainda quando se compra mil tubos. Mas aí vai dar manutenção, vazar água e o cliente retorna insatisfeito com reclamações. O cliente vai pagar certinho e recontratar se eu executar bem”.  

 

O Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte (MG), projetado pelo escritório Zanettini Arquitetura, recebeu três tipos de vidro para compor a fachada: Insulado Laminado Controle Solar Azul - GA INS 3127; Insulado Laminado Controle Solar Azul - GA INS 3127; Laminado Controle Solar Azul - GL 1333. Ao todo, foram utilizados mais de 16.000m² de vidro.

 

Vantagens compensam o investimento

 

A fachada pele de vidro tem um custo elevado comparada a outros sistemas como a caixilharia convencional.  Entretanto, tem sido a opção mais presente na arquitetura de prédios comerciais, assim como fachadas de estádios, museus e até igrejas. Isso porque, além do conceito de modernidade, agiliza a execução por seguir um processo de linha de produção, como citado anteriormente. “O custo da pele de vidro é alto, mas compensa pela rapidez da obra, pois a diminuição do prazo de entrega permite que o empreendimento seja comercializado mais rapidamente, além da economia de recursos que o operador terá. É um tipo de obra que exige ainda mais especialização, mais engenharia e capacitação”, conclui José Sabioni.


A estrutura permite ainda a adesão de diversos materiais além do vidro na estrutura de alumínio. “O maior benefício da fachada pele de vidro é dar ao edifício uma bela e agradável estética, podendo utilizar uma grande variedade de cores de vidros e até mais que uma cor de vidro na mesma fachada. Também é possível utilizar outros elementos como ACM, granito, cerâmica entre outros na mesma fachada. Mesclar entre vidro e outros elementos é uma ótima ferramenta para os arquitetos”, afirma Ronaldo Veronio, engenheiro e diretor técnico da Qualux.

 

Na fachada em pele de vidro do Colégio Agostiniano São José, localizado no Belenzinho, em São Paulo, a Strulev utilizou perfis de alumínio da linha Shadow com vidros laminados refletivos com fixação estrutural Glazing. Os vidros fumê são de 8mm com partes fixas e partes com abertura maxim-ar. Em outra área da obra também foi usado vidro laminado refletivo prata de 8mm. A área de empreita foi de aproximadamente 700 m², com um prazo de 60 dias entre a assinatura do contrato executivo e a entrega da obra.

 

O Hospital Bom Clima de Guarulhos (SP) recebeu revestimento em ACM (Aluminium Composite Material) na cor champagne com estrutura de fixação em alumínio. A fachada pele de vidro em sistema Glazing utilizou vidros laminados refletivos de 8mm com partes fixas e partes com abertura maxim-ar.  A área de empreita foi de aproximadamente 1200 m², com um prazo de 75 dias entre a assinatura do contrato executivo e a entrega da obra.

 

O prédio do Mercado Pago, localizado em Osasco (SP), também possui em sua estrutura o revestimento ACM preto com estrutura de fixação em aço e alumínio, com painéis de vidro laminado e temperado incolor de 16mm inteiriços, com medidas de aproximadamente dois metros de largura por cinco de altura, com colunas de vidro de 30cm com 30mm de espessura. As colunas de vidro foram uma solução encontrada para atender ao pedido do cliente que queria uma vista panorâmica, sem interferência da visão interna pelas colunas de alumínio, mesmo com chapas de vidro fora do tamanho padrão.  A área de empreita foi de aproximadamente 900 m², com um prazo de 45 dias entre a assinatura do contrato executivo e a entrega da obra.

 

Mercado lucrativo

 

As construções de fachada em pele vidro são bastante cobiçadas pelas empreiteiras especializadas, que focam em obras de médio e grande porte, e por isso contam uma grande equipe integrada de profissionais. Porém, empresas menores também vislumbram neste tipo de instalação uma oportunidade de negócio lucrativo, já que sua margem de lucro pode chegar a 50%. Entretanto, mesmo para projetos de pequeno porte, o segmento acaba sendo inacessível para vidraçarias e profissionais do vidro, pois a compra dos adesivos estruturais necessários para a fixação química segue uma fiscalização rígida inviável para o pequeno empresário.

 

O resultado disso são profissionais atuando de forma incorreta, com produtos de má qualidade e sem capacitação para este tipo de procedimento, comprometendo a segurança de uma obra tão delicada. Com o objetivo de tornar este negócio acessível para as vidraçarias, a Alclean desenvolveu um sistema que facilita e regulariza todo o processo em obras de até 15 metros ou cinco pavimentos e economiza de 30 a 40 dias. “O silicone estrutural precisa ser compatível com o alumínio que será utilizado, o que não necessariamente acontece se o produto for comprado em qualquer fábrica. No sistema glazing o produto será rastreado dentro da Alclean e já estará aprovado direto da fábrica”, explica Ricardo Câmara, profissional com mais de 20 anos no mercado vidreiro que participou do desenvolvimento do sistema pioneiro.

 

Para fazer parte do sistema Glazing o instalador tem que ser treinado e passa por um curso de habilitação. As empresas da Rede Credenciada, todas com produtos que têm garantia de procedência, só venderão para quem tiver um número de matrícula obtido pelos habilitados que realizaram o treinamento. Esse monitoramento tem o objetivo de garantir a segurança de todo processo e da obra final. 

 

O Complexo Esportivo CPJ, entregue em 2014 na cidade Lauro de Freitas (BA),  teve sua fachada em pele de vidro feita com vidros laminados e temperados 10mm com película de proteção termo-acústica. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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