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Arte em Vidro

Engenho e arte

União de criatividade e tecnologia impulsiona o uso de móveis e peças de vidro na formação dos ambientes

10/11/2013

Peças únicas. A habilidade dos mestres escultores da Fiam permitiu moldar a mesa de centro Atlas de modo a garantir a exclusividade de cada peça. “Olhar de cima para um de seus pés é como mergulhar na profundidade do oceano”, afirma o designer Danny

É crescente entre profissionais ligados à arquitetura e decoração a tendência de explorar o vidro como material de destaque, tanto em móveis e ambientes, como em objetos. Responsáveis por detalhes que fazem a diferença na composição dos espaços, as peças de mobília ganham formas e acabamentos sempre surpreendentes nas mãos de designers, decoradores e artesãos que fazem do vidro a matéria-prima principal de suas criações.

 

Embora frequentes em projetos ultramodernos, os móveis de vidro são usados há mais de 3 mil anos e já eram cobiçados desde os tempos medievais, quando reis e rainhas europeus faziam questão de mobílias que imprimissem identidade às dependências de seus castelos. Desde então, designers e artistas recorrem ao vidro para desenvolver móveis únicos e exclusivos.

 

A transparência no mobiliário imprime leveza, estilo e sofisticação. Além disso, o vidro pode ser usado em qualquer ambiente, misturado a peças clássicas ou modernas, sem comprometer o estilo adotado. Em apartamentos menores, móveis de vidro estrategicamente posicionados contribuem para a sensação de amplitude, por interferir pouco no espaço visual, e ainda valorizam os objetos dispostos sobre eles.

 

Referência para o mundo na área de design, a Itália tem sido pioneira também no desenvolvimento de técnicas para a criação de móveis de vidro que primam pelo arrojo e inovação, sem perder de vista o componente artesanal da criação artística. É o caso da Fiam, empresa italiana que, desde 1973, fabrica móveis em vidro curvo, aliando modernos processos industriais a procedimentos manuais para produzir belos efeitos e acabamentos.

 

“O vidro é um material aparentemente contraditório, por reunir características ancestrais e simultaneamente industriais, por ser ao mesmo tempo forte e delicado, natural e artificial”, afirma o designer Vittorio Livi, fundador da empresa. “Além de limpo, o vidro é ecologicamente correto e simples na aparência, mas ao mesmo tempo complexo em sua composição física e química”, comenta o designer, que tem o material como protagonista exclusivo de suas criações. Líder mundial em seu setor, a Fiam conta com a criatividade de mais de 50 designers para o desenvolvimento de suas coleções, comercializadas mundo afora, algumas delas expostas em 20 museus internacionais.

 

 

Segundo Livi, nenhum processo de manipulação do vidro seria possível sem a experiência de mestres artesãos e suas técnicas de modelagem, corte, afiação e escultura. “Um profissional do vidro deve ser capaz de prever, avaliar, quantificar e encontrar as soluções para cada caso”, afirma o designer. E acrescenta: “Durante o processo de dobra do material, a experiência do mestre e sua capacidade de trabalhar em harmonia com o operador do forno são essenciais para o controle da forma e o sucesso da operação, que, embora resulte em um objeto produzido com tecnologias sofisticadas, resume-se na essência em unir ofício e arte. Na Fiam, o mestre artesão é considerado o autor da peça, tanto quanto o criador”.

 

Irreverentes e funcionais

 

Outro destaque na criação de móveis em vidro com desenhos arrojados e exclusivos é a também italiana Tonelli Design. Fundada há 30 anos, a empresa hoje é referência mundial entre designers de móveis pela ousadia de suas peças fabricadas exclusivamente com vidro. “Nossa filosofia é unir arte e tecnologia, irreverência e funcionalidade e, a partir de muita pesquisa e experimentação, criar móveis com linhas limpas e design moderno, tirando o máximo proveito do que o vidro oferece de melhor: sua transparência”, afirma o designer egípcio Karim Rashid, que integra o quadro de criativos da Tonelli.

 

Giovanni Garattoni

Como descreve seu criador, o designer Giovanni Garattoni, da Tonelli, a “Luz de Luna” é uma mesa “com nuances onduladas similares às que se formam na areia depois de a maré baixar”. Plano na superfície, o tampo de vidro é resultado de um processo único, que procura simular o efeito da erosão causada nas rochas pela água do mar

 

Design sem desperdício

 

O projeto Zero-Waste Design (algo como desperdício zero) foi criado pelo designer britânico Mohan Roy Shearer, que tem como proposta de trabalho o desenvolvimento de produtos e sistemas com foco na sustentabilidade e no reaproveitamento de material. “Só consigo pensar em design se estiver voltado para a sustentabilidade, eficiência e adequação”, afirma Shearer. Inspirado por essa concepção de “desperdício zero”, o designer cria móveis feitos integralmente com material reciclado. “Meu objetivo é resolver os projetos de forma criativa e experimental, extraindo o máximo possível de recursos já disponíveis”, diz o designer. “Crio meus trabalhos com foco no reaproveitamento não somente de energia e de material, mas também de habilidades, ideias e boa vontade.” 

 

Explorar materiais já usados para outras finalidades resultou na criação da Tem Green Wee Shelving, um conjunto de prateleiras modulares montadas com peças de madeira e garrafas de cerveja. “É um sistema compacto que pode ser facilmente montado, desmontado e adaptado, ideal para quem muda de casa com muita frequência”, descreve Shearer.

 

Zero-Waste Design

O protótipo foi executado em parceria com a Coach House Trust, uma ONG de Glasgow voltada para ações sociais e ambientais, e usou garrafas e madeira do centro de reciclagem da instituição. “É possível usar qualquer tipo de madeira e adaptar as dimensões de acordo com o material disponível”, completa o designer.

 

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