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DNA empreendedor

Especializada em vidros curvos e insulados, a catarinense Unividros aposta em tecnologia para diversificar o portfólio e se expandir

23/07/2015

Projeto residencial com vidros curvos fornecidos pela Unividros

Foi há mais de quatro décadas, na cidade de Tubarão, no sul de Santa Catarina, que o vidraceiro Pedro Manoel Nascimento revelou os primeiros sinais de sua veia empreendedora, responsável por inspirar a criação da beneficiadora Unividros. No começo, era um pequeno comércio de vidros, que prestava serviços na área de vidraçaria. Anos mais tarde, o empresário trouxe o filho, Orlando Pedro Nascimento, para trabalhar a seu lado, ensinando-o desde cedo a lidar com as particularidades de um segmento que crescia em ritmo acelerado. 


O patriarca da família passou o bastão ao seu sucessor, que, em 1989, viria a fundar a empresa que se converteria em uma das mais importantes processadoras de vidros do mercado catarinense. “No início atuávamos apenas na comercialização de chapas e no beneficiamento simples, ou seja, no corte do vidro para transformação de grandes chapas em peças menores, adaptadas às necessidades das vidraçarias da região, nossos primeiros clientes”, lembra Orlando Nascimento. 

 

Atento às demandas e tendências na região, Orlando e seu sócio, José Paycorich, logo identificaram oportunidades para investir mais alto no ramo vidreiro. “Com o crescimento do vidro como matéria prima, novas demandas de beneficiamento surgiam, e passamos a trabalhar também com lapidação, cortes especiais e mais tarde com a curvação, processo que se tornou uma das especialidades da empresa, com a aquisição de equipamentos e fornos com tecnologia cada vez mais avançada”, conta o diretor. “A aquisição do primeiro forno para curvar o vidro foi nossa grande conquista nesse momento inicial, pois definiu o rumo que guiaria a atuação da empresa no segmento.” 


Reconhecendo a necessidade de apostas mais altas no desenvolvimento econômico da região, a Unividros deu início à produção de vidros para a indústria de refrigeração, mercado que demandava particular atenção do setor. “Fomos pioneiros na fabricação de vidros especiais, baixo-emissivos e aquecidos para esse mercado, com logística diferenciada e prazos reduzidos de entrega”, lembra Nascimento. De lá para cá, a empresa cresceu em ritmo acelerado e hoje conta com três unidades no Estado e outras quatro no Rio Grande do Sul, nas cidades de Porto Alegre, Santa Maria, Passo Fundo e Alvorada. “O investimento em novas tecnologias e em equipamentos de ponta nos habilita a fabricar produtos de elevado padrão tecnológico, com tamanhos e padronagens diferenciados, podendo ser até personalizados de acordo com as demandas específicas do projeto.”


Com uma base de clientes espalhada por todo o território nacional, a Unividros hoje fornece para variados segmentos, da construção civil e decoração às indústrias moveleira, de refrigeração e de iluminação. “Os princípios que norteiam nossa atuação são pautados essencialmente na qualidade da produção e agilidade na entrega”, comenta Nascimento. 


Os vidros com a marca da empresa podem ser encontrados em por todo o Brasil. “A participação em obras de engenharia com grande visibilidade, que utilizaram produtos beneficiados pela Unividros, pode ser citada como diferencial da empresa. Empreendimentos como a Arena Corinthians em São Paulo, Casa Shopping no Rio de Janeiro, Palácio das Artes em Belo Horizonte e outras em diversas cidades brasileiras, fazem parte do portfólio da empresa.”  

                                                                       
Vidros especiais

Atualmente, os produtos de maior relevância no portfólio da beneficiadora incluem os temperados, curvos, laminados, insulados e serigrafados. “Nossas unidades têm produzido soluções eficientes e diferenciadas para as diversas aplicações do material, principalmente na construção civil”, ressalta o diretor. Amparadas por recursos industriais de ponta, diversidade e produção em larga escala abriram portas para novos negócios e parcerias importantes no âmbito nacional. “Graças ao investimento em equipamentos de alta tecnologia é possível afirmar que a empresa é especialista em vidros curvos, produzindo peças com curvaturas e dimensões diferenciadas, além de outros acabamentos.”


A infraestrutura de seu parque fabril contempla uma grande diversidade de equipamentos, entre os quais fornos de têmpera curvos e planos, CNCs horizontais e verticais e linha de pintura. “Nossa última aquisição, que começou a operar recentemente, foi um forno de têmpera para produtos de pequenas dimensões, visando atender a indústria moveleira”, conta o gerente de vendas da empresa, Sergio Moreira de Souza. “Estamos também adquirindo um novo equipamento para a produção de vidros pintados, cuja operação se inicia ainda este ano.”


Além do processamento, a Unividros atua também na distribuição de uma ampla linha de produtos, dos mais simples ao de maior valor agregado, como os vidros extraclear, autolimpantes, de controle solar, baixo-emissivos e impressos fabricados pela Saint-Gobain Glass e UBV. Os segmentos de construção civil e decoração têm recebido atenção especial da empresa, sobretudo em razão das amplas possibilidades de aplicação do material, muitas delas ainda pouco exploradas. “Também está entre as prioridades da Unividros a indústria de refrigeração, para a qual fornecemos vidros especiais para balcões e vitrines refrigeradas”, informa Moreira.


Para o gerente, o mercado vidreiro no Brasil está em franca expansão, e esse cenário deve perdurar. “O vidro está entre as matérias primas que mais ganharam espaço na construção civil nos últimos anos. Hoje o fornecimento de produtos para a construção ultrapassa o da linha da indústria da refrigeração, que tinha a liderança.”


Moreira reconhece os efeitos negativos da desaceleração econômica em relação ao setor. Para ele, a receita para atravessar a má fase é manter cautela, mas sem reduzir o ritmo de produção. “Não há segmento que não sinta efeitos de uma crise quando há redução do consumo. Mesmo ainda aquecido, o mercado vidreiro também vai sentir esses efeitos. Em que proporção, vai depender da capacidade das empresas de continuarem oferecendo produtos diferenciados com preços justos”, avalia o gerente.

 

                                        

 

 

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