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Conheça a evolução do setor de esquadrias desenvolvido em paralelo ao mercado do vidro

Tipologias, materiais e tecnologias foram agregadas ao longo das décadas, fazendo com que os caixilhos se desenvolvessem acompanhando o segmento do vidro para trazer soluções mais modernas e eficientes para a const

18/08/2018

As esquadrias são parte da envoltória das edificações e utilizadas como elemento de fechamento de vãos, principalmente através das janelas, portas e fachadas. Representam de 5% (portas e janelas) a 20% (fachada de vidro) do custo de uma obra, um segmento que cresce diretamente ligado ao da construção civil, assim como o mercado vidreiro. Como uma das principais tendências mundiais é o uso da luz natural para reduzir o consumo de energia e proporcionar mais qualidade de vida, as esquadrias, assim como os vidros, tem um importante papel no mercado da construção e grande potencial de crescimento, que só não é mais favorável porque o setor tem vivido uma de suas maiores crises, reflexo da conjuntura econômica do país e do mundo.

“O mercado se desenvolveu muito nos últimos anos, especialmente há cinco anos, e hoje o mercado só não cria novas tecnologias por falta de uma demanda que estimule investimentos por parte da indústria. O mercado de esquadrias têm evoluído, tem tecnologia, só falta colocar em prática para darmos um salto. O consumidor é quem vai incentivar estes investimentos da cadeia, isso nasce na oferta e na demanda, e acaba sendo um freio para o desenvolvimento do setor”, avalia Edson Fernandes, presidente da Abie (Associação Brasileira de Indústrias de Esquadrias). “Não foi só o vidro que se desenvolveu e agregou funções ao longo dos anos.

As esquadrias, como parte integrante do sistema, também se transformaram. Produzidas com novas matérias-primas, ganharam tecnologias que oferecem conforto térmico e acústico, tendo funções estéticas, estruturais e sendo um dos primeiros itens relevantes de uma obra”, completa Antonio Antunes, presidente da Afeal (Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio), que ressalta a importância da combinação dos materiais vidro e esquadria, assim como guarnições de vedação e ferragens, que estando alinhados, criam resultados satisfatórios. “Desde que as especificações dos materiais estejam corretas, tais como o cálculo estrutural dos perfis e a espessura e o tipo de vidro de acordo com as pressões e cargas de vento em que a esquadria será submetida, esta combinação é fundamental”.




Evolução do setor

Poucas décadas atrás, nos anos 70 e 80, não havia uma preocupação com o desempenho das esquadrias, as quais eram feitas pensadas apenas pelo desempenho estrutural, por isso eram mais robustas e volumosas. Nos anos 90 começou uma preocupação com a impermeabilidade e foram desenvolvidas esquadrias que impedissem a entrada de água.


De acordo com Fernandes, na época não haviam muitos laboratórios para testar a eficiência, que era analisada na prática pelos serralheiros. Já nos anos 2.000, com uma maior oferta de laboratórios, o mercado evoluiu e neste período o foco passou a ser a impermeabilidade do ar . “Houve uma melhoria dos cortes dos perfis com encaixes mais precisos, assim como borrachas de qualidade. Neste período houve também uma evolução no desenho dos perfis e esquadrias. O design melhorou, as esquadrias eram retas e passaram a ter cantos mais arredondados.

Ocorreu ainda uma revolução nos acessórios, a dobradiça não range. Os arremates são mais bonitos e mais bem acabados, com materiais práticos e recicláveis como o alumínio”, avalia o presidente da Abie. Hoje vivemos uma evolução no desempenho acústico, um avanço estimulado pela criação da Norma de Desempenho das Edificações NBR 15.575, publicada em 2013, que exigiu desempenho acústico em habitações de interesse social, e que despertou um maior interesse do mercado no desenvolvimento e aplicação de esquadrias de maior qualidade para cumprimeiro dos requisitos. Na opinião de Edson Fernandes, o próximo passo será na questão térmica e economia de energia.




Poucas décadas atrás, nos anos 70 e 80, não havia uma preocupação com o desempenho das esquadrias, as quais eram feitas pensadas apenas pelo desempenho estrutural, por isso eram mais robustas e volumosas. Nos anos 90 começou uma preocupação com a entrada de água pelos caixilhos.

Já nos anos 2.000, com uma maior oferta de laboratórios, o mercado evoluiu e neste período o foco passou a ser a impermeabilidade do ar. Hoje vivemos uma evolução no desempenho acústico, um avanço estimulado pela criação da Norma de Desempenho das Edificações NBR 15.575, publicada em 2013, que exigiu desempenho acústico em habitações de interesse social.



Desempenho termo-acústico

O consumidor tende a cada vez mais exigir produtos com desempenho superior. Na Europa e países desenvolvidos a preocupação com a questão energética e economia de recursos naturais evitando a troca de temperatura entre os ambientes externo e interno está em processo mais adiantado. Este é um dos desafios da indústria, criar soluções mais eficientes. Na opinião de Nicole Fischer, especialista da Atenua Som, o mercado de esquadrias precisa evoluir neste sentido, pois não acompanhou a evolução do segmento vidreiro. “O vidro tem muita informação, com tabelas do quanto cada vidro isola, no comum, no insulado, etc, há muitos ensaios.


Porém, não há ensaios e tabelas para dizer quanto o perfil isola”. Por isso a empresa criou seu próprio laboratório de testes. “Simulamos duas câmaras, uma externa e outra interna. Medimos o som da externa e depois na outra câmara para saber o quanto o som diminui. Nestes ensaios com os perfis, juntamente com os cálculos de cada tipo de vidro, testamos e ajustamos para criar uma fórmula para prever antes o isolamento que pode ser adquirido em cada caso. Percebemos que chega um momento em que o isolamento não aumenta se eu aumentar a espessura do vidro, há um limite de desempenho, então seria desnecessários gastar com um vidro mais espesso.

O próprio perfil chega em um limite em que acaba não aproveitando o potencial do vidro. Por isso temos uma linha própria para trabalhar melhor o vidro”, explica. A especialista explica que, na verdade, a ideia de colocar um vidro duplo, que são duas chapas intermediárias com uma câmara de ar intermediária, é que a cada camada o som encontra uma barreira e perde energia.

O perfil também possui anti câmaras, o que já é previsto em seu desenho e feito na extrusão. Assim também acontece em outros componentes, como as borrachas para vedação e escovas, a cada camada o som vai perdendo energia e por consequência menos barulho entra no ambiente. Para um bom desempenho de um vidro de valor agregado, uma esquadria, assim como guarnições de vedação e ferragens, precisam estar alinhados para um resultado em conjunto satisfatório.

A acústica depende de todo um conjunto para o desempenho adequado, vidro e esquadria, e a instalação é um item significativo, ressalta Edson Fernandes, porque mal instalada vai dar problema de infiltração de água, por exemplo, e a janela ou porta terá menor desempenho acústico. “Os vidraceiros precisam conhecer melhor as opções de produto, como e quando utilizar cada um e conhecer as normas, porque elas são o mínimo. Quem não tem base técnica acha que comprar perfis e juntá-los é suficiente para formar uma janela. Há uma série de componentes que formam um resultado eficiente, como a junção, a vedação, escovas, roldanas, braços, etc.” 

 

Materiais com melhor performance

Até meados do século passado os materiais utilizados em esquadrias de portas e janelas eram madeira e aço. Nos anos 50 e 60 surgiram as esquadrias de alumínio, que atualmente representam cerca de 20% do volume total de caixilhos produzidos no país e têm forte potencial de crescimento devido à sua flexibilidade e leveza. “O alumínio é um material de fácil acesso. O mercado oferece sistemas prontos simples de serem trabalhados, o serralheiro compra e monta os perfis sem a exigência de muita tecnologia.

A indústria de esquadrias padronizadas de alumínio também pulverizou bastante esta solução”, explica Fernandes. Os caixilhos de alumínio são os que apresentam melhores índices de crescimento exatamente pela versatilidade do material, que pode atingir diferentes dimensões e permite a fabricação de todas as tipologias, muitos tipos e espessuras de vidro, possui baixa manutenção, possibilita uma ampla variedade de cores e tem uma boa estética.

As esquadrias de alumínio também aceitam todos os acessórios e ferragens, assim como os elementos de vedação. Quando bem projetados, construídos e instalados de acordo com as normas técnicas, os caixilhos de alumínio apresentam elevado desempenho quanto à estanqueidade ao vento e à chuva, e a pressão de ventos.

 

Apesar da maior penetração do alumínio no mercado brasileiro, um dos materiais que mais crescem em outros países e tem um grande potencial no Brasil é o PVC. Nos últimos 10 anos houve um aumento da participação do material, que poderia ser maior mas não ocorreu até o momento devido à falta de conhecimento sobre seus benefícios e por seu custo ser mais alto. “O PVC tem ganhado espaço pela qualidade e durabilidade. Há 20 anos não tínhamos a cultura de utilizá-lo e hoje está sendo amplamente aplicado em outros países por conta de seu alto desempenho termo acústico”, afirma Michael Lochner, gerente de marketing da Weiku, uma das empresas que apostam na disseminação do produto no país.

Alexandre Novoselecki da Rehau, empresa alemã que atua há 50 anos no mundo e há dez no Brasil, diz que no Chile a participação é bem maior e que aqui tende a crescer junto com a globalização. “É das melhores soluções e mais utilizada lá fora. Com o aquecimento do setor, que reagiu em 2018 depois de três anos, o PVC vem tentando conquistar o mercado”. É um segmento com muito potencial para crescer, pois ainda tem pouca participação no mercado brasileiro. O PVC tem excelente qualidade de isolamento acústico e térmico.

Comparando com outros materiais, tem baixa emissão de calor”, completa. Nicole explica que na verdade, mais que o material, o desenho da esquadria é que é determinante para garantir um bom desempenho. “Um perfil bem pensado será eficiente com qualquer material. Um dos fatores que contam no desempenho acústico é a massa, o peso do conjunto, mas como o desenho é mais importante, materiais leves como alumínio e PVC possuem um bom desempenho.

O PVC isola mais, mas qualquer material tem potencial para ser excelente. Na Europa, a maior parte é PVC e esta aplicação tende a crescer. No Brasil o alumínio tem sido mais promissor, o PVC não emplaca por uma questão de conhecimento e custo”.



Até meados do século passado os materiais utilizados em esquadrias de portas e janelas eram madeira e aço. Nos anos 50 e 60 surgiram as esquadrias de alumínio, que atualmente representam cerca de 20% do volume total de caixilhos produzidos no país e são os que apresentam melhores índices de crescimento pela versatilidade do material.

No mundo, um dos materiais que mais crescem é o PVC, com aumento de sua participação no Brasil nos últimos 10 anos. As esquadrias de PVC têm bom desempenho acústico e só não emplacam por uma questão de conhecimento e custo.

Inovações

O desenvolvimento de soluções é constante. Hoje o mercado de esquadria oferece muita tecnologia agregada. Alguns exemplos são as esquadrias com sensores, seja para detectar a presença de pessoas e disparar um alarme de segurança, para detectar fumaça, vento ou chuva para fechar automaticamente quando necessário. As janelas que geram energia solar e possuem até uma fonte para carregar celulares já são uma realidade, assim como os caixilhos com controle à distância e as mecanizações cada vez mais modernas.

Esquadrias minimalistas para grandes vãos, com aparência de vidro, com termômetros para medir a temperatura externa ou com purificadores de ar acoplados para fazer uma troca entre o ar interno e externo sem mexer na temperatura são outras opções. No futuro serão possíveis soluções ainda melhores, pois o mercado está se aprimorando. Na feira de esquadrias Fensterbau Frontale 2018, que aconteceu em março na Alemanha, a Rehau apresentou uma janela sustentável que ventila fechada.

O sistema gera automaticamente uma troca eficiente de ar e calor, além de minimizar o ruído exterior. Por meio de sensores detecta de forma independente quando a umidade do ambiente é muito alta ou o nível de oxigênio no ar ambiente é muito baixo. Os sistemas de ventilação são controlados centralmente por um aplicativo de celular. A empresa também apresentou uma solução que permite proteção do sol excessivo, sendo possível controlar a iluminação remotamente por meio de aplicativos de celulares graças aos painéis digitais sensíveis ao toque das janelas e perfis.
 


 

Tipologia
De acordo com Antonio Antunes, as esquadrias podem ser classificadas quanto a sua função, ao seu tipo de material, a sua manobra de abertura das folhas e à técnica de execução. As portas podem ser de abrir/pivotante, de correr (externa/interna), pivotante (eixo central), sanfonada e pantográfica/camarão. No entanto, antes da escolha da esquadria adequada ao projeto, deve-se pensar nas vantagens e desvantagens oferecidas por cada uma, principalmente quando se pensa em janelas. “Tem uma série de itens a serem avaliados na hora de definir o melhor modelo para cada construção.

É preciso avaliar o que é melhor para a obra em termos de aproveitamento da luz natural, se é face norte ou sul, para não gastar onde não é necessário. As janelas com persiana integrada, por exemplo, são mais caras, mas dependendo da obra nem é necessário gastar com este item. Cada projeto tem uma especificação adequada para melhor aproveitamento”, destaca Fernandes.

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