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Arquitetura e Vidro

Casa mirante

Em terreno de aclive acentuado, sala se projeta em direção às montanhas da Serra do Curral, em Minas Gerais

13/05/1961

Casa de vidro em condomínio de Minas Gerais

Todos os espaços em um mesmo nível, sendo este, de preferência, o mais elevado do terreno. Foi com essa premissa em mente que o arquiteto Humberto Hermeto rascunhou as primeiras linhas do que se transformaria nesta bela casa de campo de estrutura simples e simultaneamente peculiar, erguida no condomínio Vila Castela, em Nova Lima, a 20 km de Belo Horizonte. Situada em meio ao mar de montanhas que caracteriza as belas paisagens de Minas Gerais, com vistas de 360o para a Serra do Curral, a casa foi projetada de modo a fazer o melhor uso possível de sua localização. “O pedido principal do cliente foi que a casa, o terraço com jardim e a piscina estivessem integrados e implantados no ponto mais alto, para que a família pudesse usufruir plenamente da paisagem”, diz Hermeto. 


Para dar conta da exigência, o arquiteto deparou com um primeiro desafio: contornar as limitações impostas pela topografia do lote. Medindo 20 m x 50 m, o terreno apresentava um aclive acentuado de aproximadamente 68% nos dez primeiros metros da parte frontal. “Foi feita uma simulação com a implantação de uma rampa. Constatamos que a solução seria economicamente inviável, porque o custo estimado para a remoção da terra e a construção de arrimos ou contenções que acomodassem a rampa superaria o preço pago pelo lote”, diz Hermeto. Além disso, conta o arquiteto, a rampa ocuparia mais de 60% da área do terreno, o que impossibilitaria a implantação do projeto desejado pelo cliente.

 


A solução, então, foi fazer um corte na parte frontal do lote (com profundidade de 5,5 m) para implantar a garagem. Um arrimo com 4,40 m de altura contém a terra, e o acesso dos moradores às áreas residenciais é feito por elevador, no lado esquerdo do terreno. Além de marcar presença no fechamento da garagem, os vidros assumem papel chave em toda a área que forma o nível superior. Formada por um volume retangular, a sala se projeta em direção à paisagem como um mirante. “Um bloco longitudinal com dois pavimentos define o volume principal da casa, disposto 15,5 m acima do nível da rua”, descreve o autor do projeto. “No piso superior, portas deslizantes de vidro abrem-se para um terraço lateral, que recebe insolação do norte. Já a extremidade leste avança para constituir a sala-mirante, onde as paredes envidraçadas asseguram vista plena da paisagem.” 


Formado por três fechamentos envidraçados, o ambiente central da casa parece estar pairando sobre as montanhas ao redor. “O uso do vidro em todas as laterais surgiu como uma solução óbvia no contexto de valorizar os espaços internos, oferecendo deslumbrantes enquadramentos para onde quer que se olhe”, comenta Hermeto. Além de oferecer vistas em variadas direções, a altura em que as áreas sociais foram implantadas previne uma eventual falta de privacidade que o alto grau de transparência das fachadas poderia ocasionar. Além de ser o elemento que integra as áreas internas e externas, o vidro foi instalado em locais estratégicos, de modo a permitir entrada de luz natural, com incidência que varia ao longo do dia, mas que permeia os diversos ambientes internos em qualquer época do ano”, observa o arquiteto. Sobre a escada que conduz ao piso superior, uma claraboia auxilia os vidros laterais na tarefa de trazer luz natural para dentro, garantindo incidência zenital. 

 


Os generosos paredões de vidro nos quais a sala-mirante é ancorada são compostos por painéis de vidro incolor temperado, de 10 mm de espessura e 3 m de altura, instalados pela Vidroser, vidraçaria que acumula mais de 40 anos de atuação no mercado mineiro. A fixação usa vedação de silicone entre as chapas e perfis de alumínio no chão e no teto, fornecidos e executados pela Alumafer. 


A estrutura da casa é convencional. São 16 colunas que, apoiadas sobre uma base de tubulões, sustentam o corpo principal da casa. Nessas colunas, está apoiado um par de vigas longitudinais que sustentam a laje de piso. A laje de cobertura é sustentada por outras duas vigas, que, invertidas, livram o interior de interferências e criam maior integração entre os espaços. Um vácuo separa as áreas privada e social, proporcionando a conexão com o nível mais baixo, que abriga uma área de serviço, um estúdio, quarto de empregada e uma sauna. Como parte do vínculo funcional entre o corpo da casa e da área de entretenimento, o terraço serve como uma extensão da cozinha, liberando mais espaço e evitando a necessidade de um outro recinto para a churrasqueira e área de estar.

 

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