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Arquitetura e Vidro

Caleidoscópio islandês

Com fachada tridimensional de vidro inspirada na geologia vulcânica local, Harpa Concert Hall já é considerado novo marco cultural e arquitetônico do país

26/10/1950

As luzes de LED instaladas nos blocos da fachada sul são de diferente tons, conservando o brilho do Harpa Concert mesmo depois do pôr do sol

Inaugurado em maio deste ano na cidade de Reykjavik, na Islândia, o impressionante edifício do Harpa Concert Hall é resultado da parceria criativa entre o escritório de arquitetura Henning Larsen Architects e o artista dinamarquês Olafur Eliasson. Localizado junto ao porto, entre o centro da cidade e o Mar do Norte, o novo complexo Harpa-Reykjavik Concert Hall and Conference Centre foi projetado para receber óperas e sinfonias em uma dinâmica construção de vidro, que abriga quatro salas de concerto, a maior delas com capacidade para 1,8 mil pessoas, além de salas de exposições e reuniões, lojas, bares e restaurantes dotados de uma vista privilegiada.

 

Eliasson colaborou com os arquitetos para a elaboração da fachada sul. Inspirados na geologia vulcânica da Islândia, os vidros facetados da fachada simulam cristais de basalto - comumente encontrados no país - aplicados de modo a espelhar reflexos caleidoscópicos tanto do céu quanto das águas e do porto circundante, além de formar uma parede brilhante, colorida e iluminada ao escurecer, por meio da projeção de LEDs. “A ideia da fachada foi reproduzir uma espécie de penhasco inclinado, formado por múltiplos blocos de vidro hexagonais, inserindo aqui e ali algumas peças coloridas e painéis espelhados”, descreve Eliasson. “Com base em princípios geométricos, a fachada de vidro multifacetada gera perspectivas em duas e três dimensões, criando reflexos da cidade e da paisagem ao redor.”

 

As luzes de LED instaladas nos blocos da fachada sul são de diferente tons, conservando o brilho do Harpa Concert mesmo depois do pôr do sol. “A cor e a intensidade e de cada módulo podem ser controladas e ajustadas conforme a necessidade”, acrescenta o artista.
De acordo com os arquitetos do Henning Larsen, é a estrutura interna do edifícios que dá forma às suas funções. “Vistos do hall de entrada, a sala de espetáculos e demais ambientes formam um único bloco, onde se refletem as formas dinâmicas da fachada cristalina” afirmam. “A luz natural é elemento-chave no projeto, cumprindo a função de alterar drasticamente os efeitos de cores, transparência e refletividade, conforme a mudança do clima e das estações do ano.”

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