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Arte em Vidro

Aula de anatomia

Estúdio californiano explora técnica do vidro soprado para reproduzir sistema circulatório humano

06/02/2014

Simulação do fluxo sanguíneo: um líquido vermelho é bombeado através das finíssimas tubulações transparentes e ocas

O trabalho desenvolvido pelo californiano Gary Farlow é mais do que arte e mais do que ciência. Levando a maleabilidade do vidro aos limites da técnica e da criação, o artista transformou o material em intricados sistemas de artérias e veias, com a finalidade científica de demonstrar em detalhes o funcionamento de alguns órgãos e tecidos do corpo humano. 

 

Dessa ambiciosa proposta nasceu a equipe do Farlow’s Scientific Glassblowing, estúdio dedicado ao aprimoramento de técnicas e ferramentas que viabilizem fiéis representações do nosso sistema vascular - e não somente dele, mas de praticamente todos os tecidos que compõem a anatomia humana - em esculturas de vidro borosilicato, minuciosamente moldadas pela técnica do vidro soprado.

 

De seu órgão principal, o coração, aos mais finos vasos capilares e até mesmo o sangue que ali circula, toda a composição do sistema vascular está contemplada na obra de Farlow, incluindo detalhes de nosso órgão vital, como átrios, ventrículos, veias e artérias. Suas esculturas reproduzem o ciclo cardíaco com maestria, oferecendo uma aula de anatomia raramente propiciada por figuras impressas em livros científicos, escolares ou acadêmicos. 

 

Círculo de Willis

Representação do círculo arterial cerebral, ou Círculo de Willis, formado pelas artérias responsáveis pela vascularização do cérebro

 

Embora revelem seu auge na riqueza de detalhes com que foram capazes de reproduzir um coração humano em vidro, as esculturas de Farlow e sua equipe não se limitam à região torácica. Outro destaque da série produzida pelo estúdio é a que representa o chamado círculo de Willis, também conhecido como círculo arterial cerebral, formado pelas artérias responsáveis pela vascularização do cérebro. “Fazemos praticamente todas as partes do corpo”, diz Farlow. “O corpo humano e seu funcionamento orgânico são uma inspiração perfeita para a criação artística”, comenta. 


Executadas por mãos habilidosas e guiadas por mentes criativas, as técnicas e ferramentas empregadas por Farlow fazem de seu trabalho uma obra artística em essência. Mas que acaba por assumir um caráter científico pela fidelidade com que as esculturas revelam toda a complexidade da anatomia humana. Isso é possível graças a uma equipe de médicos cardiologistas que prestam assistência a todo o processo produtivo, orientando sobre cada detalhe dos órgãos e sistemas recriados em vidro. “O objetivo da produção artística de nosso estúdio é científico, pois trata-se de esculturas transparentes destinadas ao uso da ciência e do treinamento médico”, diz Farlow. 

 

Gary Farlow

Gary Farlow 

 

Para dar conta de tamanha responsabilidade, as peças são rigidamente baseadas em modelos anatômicos, e podem ser projetadas inclusive para simular o fluxo sanguíneo no organismo. “Isso é feito adicionando-se liquido vermelho, que é bombeado através das finíssimas tubulações transparentes e ocas. “Também usamos o liquido para simular o percurso de outros fluidos e gases, como o oxigênio, por exemplo”, diz Farlow. 

 

Com toda essa precisão técnica e amparo científico à disposição, os modelos possibilitam ensinar procedimentos e intervenções médicas avançadas, como cateterismo e angioplastia, ou mesmo fazer testes e demonstrações de novos aparelhos cirúrgicos. O processo produtivo, explica Farlow, resume-se a moldar os órgãos, artérias, veias e vasos capilares individualmente e depois fundi-los, um de cada vez, para comporem os conjuntos que formam cada sistema. 

 

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