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Arquitetura e Vidro

Águas cristalinas

Referência mundial em projetos do ramo, aquário de Baltimore abusa do vidro para dar transparência às milhares de espécies que abriga

14/11/1951

“Uma de nossas metas era que o Aquário Nacional ganhasse mais presença e transparência, consolidando-se como o principal destino do porto de Baltimore”

Encarregados de divulgar a incomparável riqueza da vida em ambientes marinhos e fluviais, ressaltando seu papel essencial na saúde e evolução do planeta, aquários do mundo todo tendem a chamar a atenção pelas formas arrojadas de aplicação do vidro, tanto interna como externamente. A representação fiel do microclima presente em rios, mares e oceanos ampara-se, quase sempre, em uma concepção arquitetônica transparente conjugada a sofisticados mecanismos de exposição da vida nas águas, elementos fundamentais para um centro marinho de qualidade.

 

Ícone cultural e singular da cidade, o Aquário Nacional de Baltimore, em Maryland, nos Estados Unidos, foi inaugurado em 1981 e, desde então, tornou-se referência básica para projetos similares que vieram depois. A edificação ocupa um píer inteiro no centro do Inners Harbor, porto histórico de Baltimore e um dos mais fortes marcos da paisagem da cidade. O projeto foi concebido pelo escritório Peter Chermayeff, que ostenta em seu portfolio um sem-número de aquários espalhados pelo globo, todos tendo o vidro como material estratégico e preponderante. Segundo um de seus idealizadores, o arquiteto Bobby Poole, o edifício, que passou por ampla restauração entre 2001 e 2005, foi projetado de dentro para fora, e sua concepção teve como objetivo “celebrar a vida em habitats aquáticos diversos, incluindo espécies que vão de peixes e corais típicos dos recifes caribenhos a tubarões encontrados em mar aberto e anfíbios, répteis e mamíferos da Floresta Amazônica”. 

 

Ocupando uma área de mais de 6 mil metros quadrados, a construção foi projetada de modo a organizar o trajeto da visita de forma vertical e ascendente. “A subida tem como guia um espaço central com iluminação controlada, formando um caminho banhado por luz natural, sob uma cobertura de vidro piramidal”, descreve Poole. “Já a descida é feita por uma rampa junto a um tanque de formato circular e oval de dois níveis.” 

 

Em 20 anos de funcionamento, o aquário de Baltimore se firmou institucionalmente, expandiu-se para o píer adjacente e gradativamente incrementou seus serviços, o que exigiu investimentos pesados em uma nova infraestrutura de atendimento a um público que não parava de crescer. Foi então que o escritório Peter Chermayeff foi novamente acionado, para um projeto de reestruturação que envolveu a ampliação do lobby e das áreas de circulação, além da inclusão de um novo restaurante e uma loja. “O projeto de ampliação consistiu em criar uma estrutura com paredes transparentes de vidro, além de uma cobertura inclinada, também em vidro, reproduzindo em seu nível mais elevado um novo habitat marinho, desta vez com espécies advindas de cânions australianos”, diz Chermayeff. “Uma de nossas metas era que o Aquário Nacional ganhasse mais presença e transparência, consolidando-se como o principal destino do porto de Baltimore.”

 

A nova estrutura passou a contar com cinco níveis ao todo, moldados em concreto para dar sustentação aos habitats artificiais e envoltos por duas paredes e uma cobertura de vidro e aço. O teto inclinado é estruturado por cordas e cabos de aço, às quais se sobrepõe uma claraboia composta por um sistema de envidraçamento especial, em que foram aplicados vidros insulados extraclear de 1,5”, além de uma camada externa de vidro laminado e um revestimento extra de vidros baixo-emissivos, amparados por aranhas de aço inoxidável de 8”.   

 

No fechamento principal da fachada voltada para o sul foi adotada uma inovadora e exclusiva solução, desenvolvida pela empresa Novum Structures, composta por uma estrutura de cabos de aço tubulares que formam um mastro, dando suporte ao cabo que está apoiado no sistema de envidraçamento do telhado, e lateralmente ancorado na ponta do mastro. O sistema de envidraçamento, neste caso, é composto por uma cobertura estrutural de 1,4”, formada por vidros insulados Crystal White, também de baixa emissividade. “A fachada norte, por sua vez, é composta por uma estrutura de aço estrutural secundária, construída sobre a estrutura principal”, descreve o arquiteto. 

 

Especializada em sistemas diferenciados de envidraçamento, a Novum Structures foi responsável por toda a engenharia, fornecimento e instalação dos vidros e de suas estruturas de sustentação. “Nosso foco foi prover, por meio de uma solução customizada, toda a transparência e conforto térmico que o projeto exigia”, afirma Ângela Rossi, gerente da Novum Structures. “Por essa razão, optamos por grandes painéis de vidro insulado e baixo-emissivo, medindo 6’x12’. Para garantir grau máximo de transparência, a empresa descartou vigas aparentes para fixar os vidros às estruturas de sustentação, por meio do sistema Novum PSG-System.

 

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