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A força do chão de fábrica

Reposição e manutenção adequadas das máquinas garantem desempenho e produtividade

18/08/2016

Linha de laminação da PKO do Brasil – máquinas de qualidade e operadores capacitados estão diretamente relacionados à boa performance industrial

Incertezas político-econômicas vividas pelo País fazem a indústria do vidro apostar em uma meta para o próximo ano: parcimônia. Na área de beneficiamento, não é diferente. E, para equilibrar receita e produtividade, o setor tem também o desafio de manter o chão de fábrica atualizado e produtivo, com máquinas e equipamentos que garantam desempenho, baixo custo e agilidade na entrega do produto.


Até dois anos atrás, com o crescimento baseado no consumo, a expansão das processadoras do vidro plano estimulava a procura por todas as linhas de máquinas e equipamentos. “O foco das beneficiadoras era fazer volume de vidro processado, investindo sem parar”, conta Gabriel Alves de Andrade, diretor da fabricante de máquinas para vidro plano Agmaq. E acrescenta: “Hoje, mais que nunca, elas precisam ser eficientes, pois as condições mudaram. As empresas se expandiram, mas o mercado encolheu”. A alta do dólar também impôs condições mais duras às beneficiadoras. “Qualquer nova aquisição deve ser muito bem planejada, já que em sua grande maioria as máquinas para vidros são estrangeiras”, afirma Silvia Romano, gerente de projetos da Pacaembu Vidros.

 

Correia da Glass Parts, utilizada em máquinas para beneficiamento do vidro. Uma das peças de maior demanda no mercado

 

 
Comprar ou consertar?


 
O cenário faz com que, ao pensarem no chão de fábrica competitivo, as beneficiadoras questionem: comprar, trocar ou consertar? Quando investir em máquinas novas ou em reposição de peças? O uso de peças sobressalentes é prática comum na indústria, seja por desgaste natural ou por quebras por má utilização. Para Luiz Garcia, diretor da Lisec Sudamerica, antes de substituir um equipamento por um novo é bom atentar para a qualidade do produto, a capacidade produtiva e mesmo a disponibilidade de espaço na fábrica.


Também vale a pena avaliar se o novo equipamento trará uma nova tecnologia, se vai facilitar a operação e se o custo de manutenção será menor. “Se o equipamento em uso está atendendo a necessidade, vale investir em manutenção, a custos inferiores”, sustenta Ricardo Costa, diretor comercial da GlassParts, fornecedora de máquinas, peças e componentes para manutenção de máquinas.

 

Ventosa Forvet e ventosa Intermac para centros de usinagem, da Italotec. A empresa fabrica e fornece peças também para lapidadoras, biseladoras e fornos 

 


Se a ideia é ficar com a máquina antiga, é preciso analisar o custo da reforma, e, principalmente, se o fabricante dispõe de peças a pronta entrega. As máquinas importadas trazem esse risco. Se não houver a peça no Brasil, as empresas precisarão importar e ficar um bom tempo com as máquinas paradas. Quando não encontram no país determinadas peças, as beneficiadoras perdem tempo também com nacionalização e desconsolidação da carga. “Às vezes é mais viável viajar até o país de origem e trazer a peça”, comenta Rodrigo Guerrero, da Cyberglass.


Pensando nisso, a desenvolvedora de máquinas e peças Italotec mantém no Brasil um departamento de engenharia voltado exclusivamente para o desenvolvimento de peças de reposição. “Assim, fabricamos produtos conforme a necessidade dos clientes”, explica Silvio Moutinho Jr., diretor comercial.
 

 

Equipamentos de ponta amparam produção diversificada no parque fabril da Unividros, em Tubarão (SC)

 

Mas os desafios não são para um lado só. Fabricantes de peças também sofrem com as mudanças feitas pelas indústrias de máquinas. Às vezes, equipamentos de mesmo ano e modelo ganham peças diferentes na sua montagem, levando a erros na reposição e dificuldades de estoque. A responsável pelo departamento comercial da Bottero, Ieda Kardos, acredita que, com a retração do mercado, é comum que os clientes providenciem uma boa manutenção nas máquinas que já possuem. “Mas sempre com o respaldo da análise de custo/benefício”, pondera.

 

“Se o equipamento em uso está atendendo a necessidade, vale investir em manutenção, a custos inferiores”

 

Modernização dos processos industriais está entre as prioridades da Cyberglass, que recentemente incrementou seu chão de fábrica com uma linha de laminação 100% automatizada

 

 

Sob a ótica das processadoras

 

Investir em peças de reposição como alternativa à troca de uma máquina depende de cada equipamento e de uma boa análise de custo/benefício. Na Cyberglass, equipamentos essenciais podem ganhar reformas para ficar como novos. Desde a simples troca de rolamentos, guias, carpetes e pinças até a retífica de blocos, pinturas eletrostáticas, trocas de peças em aço carbono e inoxidável. Apesar de essas reformas não serem baratas, a empresa acredita que podem compensar, por conta da desvalorização do real.

 

O executivo da Agmaq levanta outra questão: “As empresas estão mais eficientes e cresce a demanda por prazos curtos de entrega. Manter máquinas antigas sujeitas a quebras ou máquinas sem estoque de reposição pode ser um problema”, alerta Gabriel, da Agmaq, que considera fundamental atender as paradas de máquina no menor prazo possível.

 

Fresas para máquinas automáticas, lançamento recente da Potencia Diamante

 

 

Planejar para atender futuras demandas do mercado também nunca é demais. Cenários econômicos mudam e crises são superadas. E as empresas precisam estar preparadas. É o caso da Glassec Viracon. Segundo o coordenador de manutenção da empresa, Carlos Lima, a equipe está sempre antenada a novas tecnologias e equipamentos.

 

O comportamento dos últimos 12 meses do mercado sinaliza uma tendência, entre as beneficiadoras a recorrerem a intervenções esporádicas nas máquinas (incluindo troca de componentes), na tentativa de levá-las às suas condições originais. O gerente industrial da PKO do Brasil, Osvaldo Fukunaga, acredita que, desde que não haja necessidade de uma inovação tecnológica significativa para manter a empresa dentro do seu plano estratégico, muito provavelmente será esse o caminho de boa parte das empresas brasileiras. A maioria das fabricantes de máquinas para o beneficiamento do vidro possui portfólios completos, tanto para o pequeno como para o grande beneficiador. Isso inclui linhas para corte de vidros, têmpera, máquinas para lapidação e usinagem, lavadoras, equipamentos para armazenagem e manuseio do vidro, linhas de laminação e de produção de vidros insulados, linhas de transporte e logística, armazenagem etc.

 

Entre as máquinas mais demandadas no processo de beneficiamento do vidro estão: mesas de corte automáticas para vidros monolíticos e laminados, lapidadoras verticais e bilaterais, linhas de laminação e de produção de insulados. Entre outros equipamentos, estão os classificadores inteligentes para armazenagem e carregadores automáticos. A maioria das fabricantes garante alta durabilidade de seus produtos, podendo algumas máquinas passar dos 20 anos em operação.

 

Grupo de rebolos da Glass Parts utiizado no polimento de vidros 

 

 

O grupo de coifas fornecido pela Glass Parts inclui coifas de 5 e de 7 gomos, entre outros modelos

 

 

Escovas para lavadoras de vidro, da Glass Parts: peças de grande demanda no mercado, por serem passíveis de maior desgaste pela ação da água com o pó de vidro 

 

No setor de peças de reposição, as mais solicitadas pelo mercado são rebolos para lapidadoras, carpetes para mesas de corte, sapatas e rolamentos, escovas, correias e lubrificantes utilizados nas manutenções das máquinas, coifas, rolamentos, correntes e pinças, além das que recebem diretamente a ação do calor severo e da água com o pó de vidro, como as escovas e as esteiras transportadoras.

 

Peças de reposição também costumam ter vida útil longa. “A alta durabilidade e qualidade das nossas ferramentas fazem com que elas só precisem ser trocadas quando acabam”, garante Andrey Barbosa, diretor da Potência. Entre os produtos de maior durabilidade mencionados pela empresa estão o rebolo turbo, para lapidação de vidros comuns e laminados, o rebolo resina, além das fresas para máquinas automáticas.

 

Considerados imbatíveis pela empresa, os novos rebolos de polimento copo e rebolos periféricos da Arbax são empregados em todos os tipos de lapidadoras para afiar brocas e tira-riscos, além de disputarem seu lugar entre as beneficiadoras, no quesito durabilidade.

Rebolos de polimentao da Arbax, para todos os tipos de lapidadoras – automáticas, semiautomáticas e manuais – e para afiação de brocas e tira-riscos

 

Mesa automática Bottero 520 LAM para corte de vidro laminado. Durabilidade de mais de 20 anos, se feita correta manutenção

 

Na Conlumi, a manutenção preventiva é feita semanalmente. Menor tempo de hora parada traduz-se em hora produtiva e maior volume produzido. Na foto, lavadora de vidro

 

Manutenção – a máquina humana

 

“Máquinas devem vir a serviço do homem, e não o contrário” (Osvaldo Fukunaga – PKO). “A principal máquina é o ser humano – treinado, motivado e respeitado” (Claudio Passi – Conlumi). As duas frases dos executivos servem como norte para o setor, principalmente quando se trata de manutenção. O bom estado dos equipamentos e a adequada capacitação dos operadores estão diretamente relacionados à boa performance industrial. A falta de treinamento contribui para maior desgaste das máquinas e até pela sua perda total.

 

A manutenção preventiva ainda é o melhor caminho para se antecipar a problemas no maquinário. Necessária quando o problema já se instalou na máquina, a manutenção corretiva pode muitas vezes ocasionar perdas na produção e baixa no faturamento, pois, dependendo do problema, são necessárias horas ou mesmo dias para a sua solução.

 

 

Ponte rolante na Pacaembu Vidros. No chão de fábrica da empresa, qualidade da operação caminha em pé de igualdade com a qualidade das máquinas 

 

Mesa de corte automática para vidros float da linha Base Cut, da Lisec. Compacta, assegura máxima precisão, mínimas tolerâncias de corte e alta durabilidade 

 

 

Estudos indicam que a manutenção preventiva aumenta a produtividade das empresas em uma média de 20%, ao evitar paradas para manutenções corretivas no dia a dia da produção. O ideal é manter as peças de maior desgaste em estoque, para que possam ser substituídas no menor espaço de tempo.

 

Na Conlumi, a manutenção é feita semanalmente, envolvendo lubrificação, limpeza, vedações, troca de rolamentos etc. Na Cyberglass, as manutenções e reformas são feitas pela equipe da própria empresa. Todas com base em check-lists de itens, com datas de substituições e histórico de trocas. A processadora trabalha com máquinas da Bottero, Bovone, Lisec e Hanjiang, entre outras. A Glassec Viracon também usa sua própria manutenção preventiva total (TPM) em suas linhas de laminado, insulado, serigrafado e no seu mais novo investimento – um forno de têmpera FC 500 para peças de grandes dimensões.

 

A PKO acredita ser importante estabelecer uma Política de Manutenção Preventiva/Preditiva para os equipamentos mais estratégicos. Segundo a empresa, elas são executadas nos momentos de maior disponibilidade da máquina/linha de produção ou quando atingem o limite de tempo estabelecido pela Política de Manutenção.

 

1. Capa corrugada dianteira da Italotec para lapidadora Bavelloni 

 

3. Correia para máquina lapidadora Italotec - alta demanda no mercado de beneficiamento do vidro

 

“Estudos indicam que a manutenção preventiva aumenta a produtividade das empresas em uma média de 20%, ao evitando paradas para manutenções corretivas no dia a dia da produção”

 

 

Daniel Leicand, diretor a da Abrasipa, demonstra aplicação do rebolo da empresa em máquina da Use-mak

 

 

 

 

 

 

 

 

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